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Verdes unificados, mas desbotados

Por Julio Godoy*

Os ambientalistas europeus criaram, em fevereiro, um partido único, com vistas às eleições parlamentares de junho. Mas sua influência continua à margem.

PARIS.- Os verdes europeus, surgidos há mais de 20 anos como movimentos políticos alternativos, decidiram formar um partido unificado, mas sofrem uma crise de crescimento e influência, combinada com fortes dúvidas sobre os valores sociais e econômicos que representam. O Partido Verde Europeu, criado em fevereiro, reúne as 32 organizações da Federação Européia de Partidos Verdes e destaca que há movimentos ambientalistas em quase todos os países do continente, com exceção de Bielorússia, Irlanda do Norte, Islândia, Lituânia, Moldávia, Polônia e nas repúblicas surgidas com o desmembramento da Iugoslávia.

Entretanto, a influência política desses grupos é marginal. Apenas dois fazem parte de coalizões governantes: Die Gruenen (Os Verdes) da Alemanha é sócio minoritário do Partido Social Democrata desde 1998, com três ministérios, enquanto o Partido Verde da Letônia designou o ministro do Meio Ambiente em 2002. Na França, Les Verts (Os Verdes) governou em aliança com os partidos Socialista e Comunista, de 1997 a 2002. Mesmo nesses três países, são forças minoritárias. Die Gruenen, que em 1983 foi o primeiro partido ecologista europeu a obter cadeiras em um parlamento nacional, conta, segundo as pesquisas, com adesão de 8% a 10% dos eleitores. Les Verts chega a pouco mais de 5% das intenções de voto, e os ambientalistas letões tiveram 2,8% dos votos em 2002.

Em todos os outros países europeus, menos na Áustria, Bélgica e Suíça, os partidos verdes são ainda menores. Entretanto, a italiana Mônica Frassoni, deputada verde no Parlamento Europeu, disse ao Terramérica que a unificação dos ecologistas busca “ganhar as eleições parlamentares européias de junho e consolidar uma presença política da família dos verdes, como sujeito político que possa agir no contexto continental”. Atualmente, há 44 deputados verdes no Parlamento Europeu, entre seus 626 membros.

“Os partidos tradicionais, tanto de esquerda quanto de direita, incorporaram os conceitos ecologistas mais consensuais em seus próprios programas, minando o crescimento dos novos movimentos ambientalistas”, disse ao Terramérica a professora de Ciências Políticas Hélène Miard-Delacroix, da Escola Normal Superior de Lyon. A especialista ressalta que, “por outro lado, as socidades européias, sobretudo as latinas, na França, Itália, Espanha e Portugal, e também na Europa do Norte, são majoritariamente reticentes a incorporaarem em seu comportamento diário exigentes práticas de proteção do meio ambiente, como pedem os movimentos ambientalistas mais ortodoxos”.

Quando o Les Verts integrou o governo, tentou reduzir os períodos de caça e sancionar as práticas mais brutais de perseguição contra espécies migratórias, e isso enfureceu os caçadores, com grande capacidade de pressão nas zonas rurais. Do mesmo modo, Dominique Voynet tentou impulsionar a agricultura orgânica na França quando foi ministra do Meio Ambiente, acabando como alvo de violentas críticas por parte dos agricultores tradicionais, largamente majoritários e influentes. Agricultores direitistas invadiram o gabinete de Voynet em 1999 e a chamaram de “puta”. Nenhum dos agressores foi perseguido pela Justiça.

De todo modo, “os partidos verdes descongelaram as opções políticas, ao imporem temas novos, em matéria de ecologia e sensibilidade ambiental, no coração da indústria da velha Europa”, disse ao Terramérica o professor de Ciências Políticas Michele Prospero, da Universidade La Sapienza, de Roma. O partido verde italiano é responsável pelo surgimento de uma consciência cultural e de uma sensibilização em defesa do patrimônio que conduziu, entre outras coisas, ao protesto contra práticas corruptas de construção urbana. Contudo, como em outros casos europeus, suas bandeiras foram tomadas por outros grupos, “sobretudo pelo Partido Democrático de Esquerda”, afirmou. Prospero admite, entretanto, que os verdes europeus “se institucionalizaram” e assemelharam sua cultura política à dos demais partidos, “perdendo seu sentido de inovação, luta e radicalidade”.

Além disso, “muitos ideais ambientalistas de primeira hora se converteram em quimeras burocráticas freqüentemente impraticáveis”, segundo Miard-Delacroix. A lei alemã aprovada no ano passado limitando o uso de latas como recipientes de bebidas causa dores de cabeça apenas suportáveis a consumidores e comerciantes, disse ao Terramérica Cornelia Rabbitz, correspondente de política nacional na rádio pública Voz da Alemanha (Deutsche Welle). Em outros casos, a dominação do mercado sobre a política é tão acentuada que os progressos ambientalistas são quase invisíveis. Assim ocorre com o uso freqüente de fontes energéticas renováveis na França, onde 80% da eletricidade é produzida por centrais nucleares.

Os partidos verdes, como todos os de esquerda da Europa desde a queda do chamado “socialismo real”, enfrentam também uma crise de identidade ideológica e alguns de seus líderes alinharam-se com a economia de mercado. O Die Gruenen alega, como os partidos de direita mais conservadores, que o Estado de bem-estar necessita de uma reforma radical para sobreviver, e “é o principal defensor da privatização parcial do sistema de pensões e da redução das parcelas sociais pagas a desempregados no longo prazo”, afirmou Rabbitz. O líder mais representativo dos verdes alemães é o ministro das Relações Exteriores, Joschka Fischer, à frente da virada para o neoliberalismo e do abandono do pacifismo de esquerda para acomodar-se à doutrina militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), com forte influência norte-americana.

“Pressionado pelo governo dos Estados Unidos, Fischer aprovou a participação alemã na guerra contra a Sérvia em 1999, por causa da província separatista de Kosovo, argumentando que a Alemanha não podia tolerar um novo genocídio na Europa”, disse Rabbitz. No entanto, Fischer não argumentou que se justificaria uma guerra para evitar o genocídio dos separatistas chechenos que enfrentam Moscou. Essa contradição lhe valeu fortes críticas de dirigentes pacifistas do Die Gruenen, mas também uma popularidade inquestionável entre setores conservadores europeus e norte-americanos. No ano passado, alinhou-se com a posição do primeiro-ministro Gerhard Schroeder contra a invasão do Iraque liderada por Washington.

* O autor é correspondente da IPS. Com a colaboração de Francesca Colombo (Itália).


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