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A outra face da Colômbia |
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Por Yadira Ferrer*
Libia Grueso, ganhadora do prêmio ambiental Goldman por seu trabalho em favor das comunidades afro-colombianas, conversou com o Terramérica.
BOGOTÁ.- A colombiana Libia Grueso, de 43 anos e ativista em defesa de comunidades afrocolombianas, ganhou este ano o prêmio ambiental da norte-americana Fundação Goldman, pela estratégia de desenvolvimento sustentável que dirigiu no sudoeste de seu país, com base em uma aliança entre a ecologia e a cultura. Trabalhadora social, educadora ambientalista e co-fundadora do Processo de Comunidades Negras (PCN), Grueso é uma das promotoras da chamada Lei 70, que em 1993 permitiu o reconhecimento oficial das comunidades negras como uma etnia com direitos culturais e territoriais na região que habitavam ancestralmente.
Suas primeiras conquistas ambientais se deram no início dos anos 90, quando conseguiu deter o trabalho de 21 retroescavadoras com as quais se extraía ouro aluvial em rios do departamento de Valle do Cauca, no Pacífico, causando irreversíveis impactos ecológicos e culturais. Também conseguiu deter, até seu replanejamento, um projeto de “poliduto” para gás natural, gasolina e diesel que atravessaria e colocaria em perigo o delicado e precioso ecossistema de mangues e selvas no municipio de Buenaventura, no mesmo departamento. Sua meta agora é conseguir que o Estado aprove uma política ambiental especial para a costa do Pacífico.
O prêmio ambiental Goldman, entregue a cada ano a seis pessoas, foi criado em 1990 para recompensar quem desenvolve projetos ambientais excepcionais e inspira outros para que sigam seu exemplo.
P: O que significa este prêmio para você?
R: É uma oportunidade para divulgar a outra face da Colômbia, especialmente a contribuição e o valor das comunidades afrocolombianas do Pacífico.
P: A que se dedica o PCN, que você representa?
R: À promoção, proteção e aplicação dos direitos étnicos, culturais, territoriais, sociais e políticos das comunidades afrocolombianas e à defesa dos hábitats que lhes servem de espaço vital.
P: Na vida prática, em que foram beneficiadas essas comunidades com a aprovação da Lei 70?
R: Se hoje não existisse essa lei, não teríamos os programas de etnoeducação para as comunidades afrocolombianas, nem as bolsas de ajuda para os jovens excluídos do sistema educacional por falta de recursos. Não existiriam os conselhos comunitários que exercem autoridade dentro dos territorios coletivos, nem os planos de uso e manejo para as florestas e recursos naturais com participação das comunidades negras que habitam esses territórios. Tampouco funcionariam as comissões consultivas, onde os líderes definem, diante das entidades de governo, as decisões que afetam as comunidades, nem haveria representantes nos conselhos das corporações, nem existiria no Ministério do Interior um escritório de assuntos étnicos para comunidades afrocolombianas. Não estaria em construção uma regulamentação da exploração de minas nem se estaria falando de normas para a proteção do conhecimento tradicional no uso de plantas medicinais. E tudo isso é apenas parte da aplicação prática da Lei 70.
P: Como incide o conflito armado no trabalho do PCN, e com quais garantias conta esse grupo para realizar sua tarefa?
R: O conflito impede o desenvolvimento pleno e a vivência do direito ao território em nossas comunidades, coloca em risco especialmente os jovens, e em geral as comunidades afrocolombianas, que são hoje a primeira propulação em migração forçada.
P: Em que utilizará o dinheiro do prêmio?
R: Em duas coisas: compra ou construção de uma sede para a organização em Buenaventura, e o restante no pagamento de escola para meus dois filhos.
* A autora é correspondente da IPS.
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