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“Uma vitória em defesa da liberdade de expressão”

Por Haider Rizvi*

O Greenpeace comemorou a decisão da Justiça norte-americana de absolvê-lo de acusações por suas atividades de protesto. Nancy Hwa, porta-voz da organização ambientalista nos Estados Unidos, conversou com o Terramérica.

NOVA YORK.- “É uma vitória na defesa da liberdade de expressão e do direito ao protesto pacífico”, disse ao Terramérica Nancy Hwa, porta-voz do Greenpeace nos Estados Unidos, depois de conhecer a decisão da Justiça desse país, no dia 19 de maio, de absolver a organização de acusações relacionadas com suas atividades de protesto. Em um fato sem precedentes, o governo Bush acusou o Greenpeace pela abordagem, em abril de 2002, de um navio carregado com 70 toneladas de mogno procedentes do Brasil, no litoral da cidade de Miami.

A decisão do governo norte-americano, que agiu com base em uma lei que data de 1872 e que foi usada apenas duas vezes desde então, foi amplamente criticada como uma medida para silenciar o Greenpeace, uma das organizações internacionais mais conhecidas dentro do ativismo ambiental. Três dias depois de iniciado o julgamento em Miami, o juiz Adalberto Jordan desqualificou o caso diante da insuficiência de provas. “O governo dos Estados Unidos não fez nada significativo para deter o corte ilegal de madeira, e continuaremos lutando para que nossa voz seja ouvida”, disse Hwa em entrevista ao Terramérica. Extratos:



- O que significa para o Greenpeace a decisão da Justiça norte-americana de desqualificar as acusações no julgamento de Miami?

- É uma vitória na defesa da liberdade de expressão e do direito ao protesto pacífico. E não seremos complacentes. Este caso demonstra que a administração Bush está disposta a ir longe quando se trata de deter pessoas que discordam de suas políticas. Continuaremos fazendo com que nossa voz seja ouvida. Continuaremos protestando e trabalhando por um entorno mais são e mais pacífico.



- O quanto é sério o impacto do corte ilegal no meio ambiente amazônico?

- Muito sério. E não só seu impacto no meio ambiente, como, sobretudo, nas comunidades originárias e todas as pessoas que dependem das florestas para viver. Além de trabalhar especificamente na questão do mogno, no Brasil trabalhamos contra o escravagismo que se impõe aos trabalhadores no corte de madeira. A coerção, a violência, a intimidação e outro tipo de violações aos direitos humanos, que são registrados na região, transformam a indústria madeireira em um empreendimento criminoso.



- O Greenpeace lançou uma campanha dentro dos Estados Unidos para incentivar as pessoas a deixarem de comprar produtos elaborados a partir do mogno?

- Promovemos por muito tempo a imposição de padrões de certificação. Trata-se basicamente de um selo verde para os produtos procedentes de processos sustentáveis de extração e produção madeireira, que, além disso, não estejam associados com violações dos direitos humanos. Trabalhamos intensamente para fortalecer a consciência pública em torno deste assunto e estamos lutando para que o Congresso aprove uma legislação relacionada a essa questão.



- Vê alguma ligação entre a administração Bush e as empresas vinculadas ao corte ilegal e à importação de mogno e outras espécies de madeiras?

- Sim, vemos a influência da indústria madeireira não só na importação de madeira ilegal como, inclusive, na política florestal dos Estados Unidos. O presidente George W. Bush está abrindo à exploração grandes quantidades de terras nacionais florestais. Estas são áreas que, tecnicamente, pertencem ao povo norte-americano. E ele as está dando de presente aos industriais. Há várias frentes nas quais o governo poderia trabalhar, como por exemplo no fortalecimento de leis de importação que dêem à aduana mais autoridade para inspecionar navios estrangeiros.



- Pode citar algumas empresas ligadas ao corte ilegal?

- Em um relatório, no início do ano, identificamos algumas das pessoas que compram madeira de empresas criminosas na Amazônia. Ali existe uma em particular, a Madenorte, que está ligada com casos de corrupção e escravidão e outras práticas ilegais. Eles exportam grande quantidade de madeira para os Estados Unidos. Identificamos os importadores e lhes enviamos cópias do relatório junto com uma carta de alerta. Tivermos algumas respostas dizendo: “não havíamos nos dado conta disto e certamente estudaremos o caso”. Faremos o acompanhamento necessário para garantirmos que sejam empreendidas ações concretas.

* O autor é colaborador do Terramérica.




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