Acentos
PNUMAPNUD
Edición Impresa
MEDIOAMBIENTE Y DESARROLLO
 
Inter Press Service
Buscar Archivo de ejemplares Audio
 
  Home Page
  Ejemplar actual
  Reportajes
  Análisis
  Acentos
  Ecobreves
  Libros
  Galería
  Ediciones especiales
  Gente de Tierramérica
                Grandes
              Plumas
   Diálogos
 
Protocolo de Kyoto
 
Especial de Mesoamérica
 
Especial de Agua de Tierramérica
  ¿Quiénes somos?
 
Galería de fotos
  Inter Press Service
Principal fuente de información
sobre temas globales de seguridad humana
  PNUD
Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo
  PNUMA
Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente
 
Acentos


O ataque das lentilhas aquáticas

Por Yensi Rivero*

Uma perigosa vegetação cobre o Lago de Maracaibo, o maior da América do Sul. Com rastelos e pás, pescadores lutam para eliminar a intrusa que ameaça várias espécies de peixes.

CARACAS.- U ma rebelde mancha verde se espalha, desde março, por quilômetros e quilômetros na superfície do venezuelano Lago de Maracaibo, o maior da América do Sul, devido à presença de uma alga de água doce de rápida reprodução, chamada lentilha aquática, por sua semelhança com a espécie comestível. “Tem esse nome porque parece uma lentilha verde. Tem menos de cinco milímetros de diâmetro, mas seus ramos se trançam intrincadamente formando um fino e resistente colchão” sobre o espelho de água, explicou o biólogo Gonzalo Godoy, da organização ambientalista Procuencas (Pró-Bacias), dedicada ao estudo do Lago.

Segundo Godoy, o surgimento da lentilha aquática aumenta a contaminação já comum do Lago, e pode alterar o hábitat de várias espécies de peixes, ao retirar oxigênio e iluminação das águas. “É a primeira vez que isto ocorre no Lago e por essa razão é tão preocupante. A alta quantidade de nutrientes em suas águas, bem como as elevadas temperaturas e as recentes chuvas favorecem a presença dessa vegetação”, explicou o especialista.

A lentilha aquática, da família Lemnaceae, encontra seu caldo de cultivo em águas com pouco sal, o que normalmente não é o caso do Maracaibo, de mais de 12 mil quilômetros quadrados e com 245 bilhões de metros cúbicos de água, cuja salinidade aumentou muito nas últimas décadas, devido à atividade petrolífera. Essa massa aquática se comunica com o Mar do Caribe através de uma baía natural que chega ao Golfo da Venezuela e que foi dragada há 50 anos para permitir a passagem de grandes navios-tanque. Com essas embarcações, entra mais água salgada.

A salinidade no interior do Lago era de uma ou 1,5 grama por litro na primeira metade do século XX, e chegou a quase cinco gramas na superfície e até 15 gramas nas profundidades durante a estação seca. “As águas doces das torrenciais chuvas que caíram nos últimos dias provocaram uma queda na salinidade, de 12 ou 13 miligramas por litro para cerca de quatro miligramas por litro, favorecendo o surgimento da lentilha aquática”, disse ao Terramérica Carlos Rivero, gerente de Higiene e Meio Ambiente da empresa estatal Petróleos da Venezuela. Além disso, “o esgoto de cidades ribeirinhas, especialmente Maracaibo (de 1,5 milhão de habitantes), Cabimas (de 250 mil) e Ciudad Ojeda (de 150 mil), bem como o uso de pesticidas e outros agentes químicos pelos agricultores da bacia do Rio Catatumbo (a sudoeste do Lago), contribuem com sua contaminação”, acrescentou.

A contaminação ainda não compromete a vida de peixes comestíveis como o bocachico (Prochilodus magdalenae), a judia (Coris julis), a lisa (família Mugílidos) e o pampano (Stromateus maculatus). Entretanto, a lentilha aquática pode alterar o hábitat desses peixes, “ao bloquear o processo de fotossíntese, e prejudicar a atividade dos pescadores, pois aderem aos barcos, afetando seu sistema de refrigeração e atrapalhando os deslocamentos”, explicou Rivero.

Enquanto autoridades ambientalistas e especialistas discutem como eliminar a lentilha aquática, grupos de pescadores as retiram com rastelos e pás. O subsolo e o litoral do Lago de Maracaibo foram, durante quase todo o século XX, o maior empório petrolífero sul-americano, e ainda produzem mais de um milhão de barris diários de petróleo. Sobre o Lago se ergue uma floresta de centenas de torres de extração, muitas delas inativas e abandonadas, e sob suas águas se cruzam milhares de quilômetros de tubulações, que com pequenos vazamentos e acidentes ao longo de décadas deixou um grande passivo ambiental.

O novo problema da lentilha aquática soma-se aos periódicos que afetam a vida lacustre, como prolongadas secas ou chuvas precoces. As intensas precipitações registradas em meados de maio deixaram mais de cem desabrigados em povoados ao sul do Lago, e vários prefeitos declararam estado de emergência em seus municípios. A estação chuvosa pode prolongar-se até novembro, e é uma incógnita qual será seu efeito sobre a lentilha aquática, comentou ao Terramérica o porta-voz do departamento de Meteorologia da Força Aérea, Angel Craterol.

* A autora é colaboradora do Terramérica.


Copyright © 2007 Tierramérica. Todos los Derechos Reservados
 

 

Enlaces Externos

Comissão Executiva do Lago de Maracaibo

Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais da Venezuela

Petróleos de Venezuela

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos