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GLOBAL: A realidade e a fantasia de um filme

NAIRÓBI.- O filme norte-americano O Dia Depois de Amanhã “poderia cair na ficção científica, mas o tema central do filme (a mudança climática) não”, disse Klaus Toepfer, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O filme, dirigido pelo alemão Roland Emmerich, que estreou no dia 28 de maio, mostra apocalípticas cenas de destruição das grandes capitais do mundo como Paris, Nova York e Tóquio, devido a variações climáticas extremas.

A mudança climática já está aqui, embora não no grau extremo apresentado no filme, disse Toepfer. “Há evidência científica de que as variações climáticas estão relacionadas com os crescentes níveis de poluição atmosférica, causada pela queima de combustíveis fósseis para fornecer energia aos nossos carros, indústrias, escritórios e residências”, assinalou.

“Pode ser que o filme aborde a ciência de maneira muito superficial. Tomara que isto não seja usado para minimizar as ameaças reais e genuínas que todos enfrentamos”, concluiu.

Para saber a opinião completa de Toepfer entre no site www.tierramerica.net.

 
 

BRASIL: Lançada coalizão anticarvão

RIO DE JANEIRO.- “Carvão não”, este é o lema de uma coalizão de quase duas dezenas de grupos ambientalistas, formalizada para reclamar a abolição dessa fonte de energia no Brasil. Sua prioridade é impedir que sejam instaladas cinco centrais termelétricas a carvão mineral no sul do país, onde se concentram as jazidas nacionais.

Os graves danos ambientais desse combustível fóssil são descritos em Carvão, o Combustível de Ontem, livro lançado pelo Núcleo Amigos da Terra/Brasil (Nat) e Greenpeace no dia 25 de maio, como ponto de partida da coalizão.

O objetivo é promover energia de fontes renováveis, como a eólica e a de biomassa, e o sul do Brasil conta com abundância de casca de arroz e bons ventos, disse ao Terramérica a coordenadora do Nat, Kathia Monteiro. A energia nuclear e as grandes hidrelétricas também são rejeitadas pelo movimento

 
 

VENEZUELA: Eliminação de pesticidas

CARACAS.- A Venezuela vai investir US$ 4,2 milhões na eliminação de mil toneladas de pesticidas, entre eles o DDT (dicloro difenil tricloroetano), o toxafeno, arseniato de chumbo e brometo de metila

Barris com esses contaminantes orgânicos persistentes (COP) serão enviados, em maio, à Alemanha para serem incinerados, guardados em tambores de alta segurança e enterrados em minas de sal.

Segundo o grupo ambientalista Aguaclara, o país importou nos anos 60 mais de oito mil toneladas de COP, para os beneficiários de uma reforma agrária.

“Esses contaminantes já não são utilizados, mas têm efeitos a médio e longo prazos”, disse ao Terramérica Emilio Chacón, do Ministério do Meio Ambiente.

Maria Eugenia Gil, da Aguaclara, disse ao Terramérica que “é preciso investigar para encontrar mais contaminantes enterrados ou armazenados”.

No dia 17 de maio, a Convenção de Estocolmo sobre os COP entrou em vigor para os 59 países que o ratificaram, mas a Venezuela não é um deles.

 
 

HONDURAS: Eliminarão a pesca submarina em 2005

TEGUCIGALPA.- O governo de Honduras anunciou que promoverá a eliminação, a partir de 2005, da pesca submarina da lagosta no departamento caribenho de La Mosquitia, atividade que causou lesões a 4,2 mil mergulhadores indígenas.

Miguel Suazo, responsável pela Direção Geral de Pesca da Secretaria da Agricultura e Pecuária (SAG), explicou ao Terramérica que a pesca por mergulho, sem as medidas de proteção necessárias, causa a síndrome de descompressão inadequada, caracterizada pela falta de oxigênio no cérebro e desordens neurológicas de diversos tipos.

“Há certa resistência dos empresários em aplicar o regulamento de pesca e proteger os mergulhadores, mas não podemos continuar permitindo mais profissionais mutilados e vamos eliminar a pesca submarina a partir de 2005”, afirmou Suazo.

Arquímides López, um dos indígenas misquitos afetados, disse ao Terramérica que o anúncio da estatal é oportuno porque “nos sentimos desprotegidos. Estamos morrendo lentamente e parece que ninguém se dá conta”.

 
 

GUATEMALA: Rios protegidos

GUATEMALA.- O Ministério da Agricultura e Pecuária guatemalteco pretende proteger os rios Xayaá e Pixcayá, do departamento de Chimaltenango, que fornecem 38% da água potável consumida na capital.

O programa já foi avaliado pelo presidente Oscar Berger, mas ainda não se definiu seu custo nem sua fonte de financiamento, disse ao Terramérica José Duro, coordenador da Unidade de Planejamento Geográfico desse Ministério.

A estratégia para proteger as bacias dos dois rios consta de três etapas, segundo o funcionário. Durante a primeira se prevê trabalhar na conservação das florestas e parques, bem como no reflorestamento, enquanto na segunda serão plantadas árvores frutíferas de baixo risco nas ladeiras hidrográficas. Finalmente, se promoverá a diversificação de atividades econômicas nos vales da região, que fica cerca de 150 quilômetros a oeste da capital, explicou.

 
 

CHILE: Ativistas decepcionados por mensagens de Lagos

SANTIAGO.- O informe anual ao Congresso do presidente chileno Ricardo Lagos, divulgado no dia 21 de maio, mostrou que “o governo não cumpriu, nem pretende cumprir, suas promessas” em assuntos ambientais, disse Sara Larraín, coordenadora do Programa Chile Sustentável.

A paralisação parlamentar do projeto de proteção da floresta nativa, a ausência de planejamento territorial estratégico com critérios de preservação e sustentabilidade, a falta de soluções para a contaminação de Santiago e a ausência de iniciativa para melhorar a legislação ambiental estão entre essas promessas não cumpridas, enumerou.

A ecologista criticou a defesa que Lagos fez de um projeto para importar gás natural em navios e substituir a queda no fornecimento por parte da Argentina.

“Isso não é diversificação (de fontes de energia), mas mais do mesmo”, afirmou, criticando também a decisão de colocar em funcionamento três centrais termelétricas movidas a carvão ou petróleo até que o fornecimento de gás se normalize, por serem contaminantes.

Assim, “aumentará em 30% o material particulado e óxidos de nitrogênio, em 20% a emissão de ozônio e 40% a de enxofre”, afirmou Larraín.

 
 

CUBA: Tentativa de salvar piscina natural

HAVANA.- Um canal para começar a atenuar a severa contaminação de Los Cangilones do Rio Máximo, uma piscina natural que fica cerca de 550 quilômetros a leste da capital de Cuba, está quase pronto para entrar em funcionamento.

Fontes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente confirmaram ao Terramérica que a obra, de 2,7 mil metros de extensão, será concluída antes da comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho.

A piscina natural de rochas calcárias, de aproximadamente 350 metros de comprimento e única na paisagem cubana, se viu fortemente afetada nos últimos anos pelo lixo poluente de uma estação de criação de peixes.

Devido ao turvamento da água, as manchas em rochas e aos volumosos sedimentos no leito do rio, as autoridades ambientais tiveram de decretar a suspensão dos banhos públicos e o fechamento das instalações para acampamento.




* Fonte: Inter Press Service.


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