Acentos
PNUMAPNUD
Edición Impresa
MEDIOAMBIENTE Y DESARROLLO
 
Inter Press Service
Buscar Archivo de ejemplares Audio
 
  Home Page
  Ejemplar actual
  Reportajes
  Análisis
  Acentos
  Ecobreves
  Libros
  Galería
  Ediciones especiales
  Gente de Tierramérica
                Grandes
              Plumas
   Diálogos
 
Protocolo de Kyoto
 
Especial de Mesoamérica
 
Especial de Agua de Tierramérica
  ¿Quiénes somos?
 
Galería de fotos
  Inter Press Service
Principal fuente de información
sobre temas globales de seguridad humana
  PNUD
Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo
  PNUMA
Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente
 
Acentos


Mulheres indígenas recuperam medicina tradicional

Por Yadira Ferrer*

Terras e conhecimentos ancestrais são resgatados em comunidades nativas da Colômbia.

BOGOTÁ.- Luzmenia Banda, da reserva indígena de San Andrés de Sotavento, no norte da Colômbia, recorda que quando era menina e batia com alguma parte do corpo em algum lugar, sua avó lhe aplicava compressa de arnica (Heterotheca inuloides) “para que a inflamação diminuísse”, e depois, se havia ferimento, folhas de orégano (Origanum vulgare) maceradas para evitar a infecção. “Quando fomos despojados de nossas terras e tivemos de partir para outros lugares, todas essas tradições foram sendo esquecidas, e recuperá-las foi uma das primeiras tarefas que nos impusemos ao regressarmos”, disse ao Terramérica Banda, presidente da Associação de Produtores Alternativos (Asproal).

Setenta das 803 mulheres adultas que integram essa organização, em sua maioria da etnia zenu, participam diretamente do cultivo e da comercialização de plantas medicinais. O projeto se desenvolve em uma reserva nos departamentos de Córdoba e Sucre. Para começar, as mulheres fizeram um amplo estudo da quantidade de plantas existentes na reserva, seu uso e a forma de preparação, explicou Banda. Das mais de 150 plantas registradas, foram selecionadas 50 de maior uso e propriedades medicinais. Depois, 13 promotoras foram treinadas em escolas de botânica nas cidades de Medellín e Bogotá, para trabalhar na elaboração de sabões, cremes e xaropes.

As plantas medicinais agora são cultivadas em pequenas quantidades individuais para uso doméstico, enquanto as destinadas à venda são colhidas em três campos de três quartos de hectare cada um. Além de arnica e orégano, são cultivadas manjericão (Ocimum basilicum), urucum (Bixa orellana), absinto ou losna (Artemisia absinthium), artemísia (Chrysanthemum parthenium), guiné (Petiveria alliaceae), salsão ou aipo (Apium graveolens), gengibre (Zingiber officinale), babosa (Aloe vera), erva-cidreira ou melissa (Melissa officinalis) e valeriana (Valeriana officinalis), entre otras plantas.

A iniciativa permitiu à comunidade “compartilhar conhecimentos com outras comunidades muito isoladas”, nas quais é difícil contar com um médico ou um centro de saúde próximo que atenda casos de emergência, disse ao Terramérica Germán Vélez, do não-governamental Grupo Sementes, que fornece apoio técnico. Também se “socializou o conhecimento mediante a elaboração de uma cartilha onde se explica o uso das diferentes plantas, tanto para a saúde humana e animal quanto para cultivos agrícolas”, acrescentou.

A presidente da Asproal destacou que na comunidade as plantas são utilizadas para tratar algumas enfermidades em determinadas etapas, e que quando são aplicadas por três dias e não há melhoria, se recorre à medicinal acadêmica. Ediani Montaño, encarregada da comercialização dos produtos, disse que o projeto sofre limitações porque as terras não têm infra-estrutura de irrigação. Isso impede “contar com uma produção permanente e nas quantidades necessárias, especialmente nos prolongados períodos de verão”, destacou.

A reserva indígena zenu ocupa 83 mil hectares de uma área de floresta seca tropical com índice pluviométrico de mil a 1,1 mm anuais, períodos secos de seis meses e temperatura média entre 28 e 30 graus. Um membro da Associação, que “por razões de segurança” pediu para não ter o nome citado, disse ao Terramérica que a Asproal surgiu em 1994 como parte de um processo para “enfrentar o despojo de que eram vítimas as comunidades indígenas da região por parte de fazendeiros que as obrigavam a vender a terra a preço baixo para alargarem seus domínios”. Após uma longa batalha jurídica, os nativos conseguiram que os grandes proprietários devolvessem suas terras originais, onde hoje lutam para recuperar conhecimentos sobre plantas medicinais e aplicar planos de produção agrícola sustentável, piscicultura, apicultura e formação sobre questões de gênero.

* O autor é correspondente da IPS.




Copyright © 2007 Tierramérica. Todos los Derechos Reservados