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“Sim à energia nuclear” |
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Por Marcela Valente*
O secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento da Argentina, Atílio Savino, conversa com o Terramérica sobre sua gestão, que é alvo de ataques por parte de ongs.
BUENOS AIRES.- O secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Argentina, Atílio Savino, carece de apoio das organizações não-governamentais ambientalistas. A maioria delas reprova seu trabalho anterior como gerente da Coordenação Ecológica Área Metropolitana Sociedade do Estado (Ceamse), empresa com capital estatal que cuida da disposição final de resíduos na capital e na província de Buenos Aires. Segundo os verdes, os aterros sanitários do Ceamse contaminam a água, o solo e o ar, e favorecem o desenvolvimento de doenças. Também criticam sua atual gestão, a qual consideram mais permeável às necessidades de reativação econômica do que à defesa do meio ambiente. Savino, economista com pós-graduação em Ciências Políticas, conversou com o Terramérica.
P- Muitos acreditam que a ecologia é um luxo em um país com altos níveis de pobreza e desemprego. O que o senhor pensa disso?
R- Há problemas prioritários como os que você menciona, mas a saúde da população também é prioritária, e para cuidar dela as questões ambientais são importantes.
P- Quais os principais êxitos de sua gestão?
R- Um é ter recobrado a institucionalidade ambiental através do Conselho Federal de Meio Ambiente (com representação das províncias). Outro, inédito no país, é a agenda ambiental nacional, elaborada por consenso das regiões, que será apresentada nos próximos dias.
P- E os desmatamentos de florestas nativas denunciados por diferentes províncias?
R- Estamos trabalhando com o Ministério do Planejamento Federal em um plano ambicioso de programação estratégica territorial. Cada província deve decidir como usar o solo.
P- Ou seja, há vontade de deter esses desmatamentos.
R- Naturalmente, e algumas províncias já apresentaram propostas de intangibilidade de determinadas regiões.
P- O que acha da liberação de uma reserva de floresta nativa na província de Salta (a noroeste), para arrematar a terra entre produtores rurais?
R- Manifestamos ao governo provincial nossas idéias e preocupações, porém, em um país federativo, a província é proprietária dos recursos naturais e toma as decisões.
P- No Conselho Federal esses assuntos são discutidos?
R- Sim, de forma permanente, e um resultado muito positivo é ter terminado um anteprojeto de lei de proteção de florestas nativas com incentivos econômicos para quem cuidar delas, que será apresentado em breve ao Congresso.
P- O que pensa da exploração mineral a céu aberto, que enfrenta muita resistência por parte de vizinhos e ambientalistas
R- A mineração não está entre as incumbências da Secretaria de Meio Ambiente. De todo modo, damos idéias sobre algumas questões à Secretaria de Mineração e outros órgãos, porque tudo o que pode ter um efeito ambiental e sanitário é nossa preocupação.
P- Para minimizar a crise energética: sim ou não à energia nuclear?
R- Digo sim, com adequados controles da atividade e dos resíduos que gera. Na França, 80% da energia é de origem nuclear. A Argentina tem um desenvolvimento muito importante, e estamos preparados para enriquecer nossa matriz energética.
P- Muitas ongs o criticam, entre outras coisas por seu trabalho na Ceamse. Mudou sua posição sobre o tratamento de resíduos sólidos desde que assumiu a Secretaria de Meio Ambiente?
R- Eu fui gerente da empresa e sei que uma pessoa deve analisar muito bem quais instrumentos utiliza em uma gestão integral de resíduos sólidos. O aterro sanitário é uma ferramenta que deve ter um manejo adequado, mas há outras que são mais importantes: a minimização ou tratamento, para evitar que a maior parte dos resíduos vá para o aterro, e conseguir que o que chegar ao aterro tenha maior segurança. Em geral, nossa Secretaria está aberta às críticas e às contribuições para solucionar os problemas, que são muitos. Nossa política é convocar todos os que têm algo a propor. E os que apenas querem criticar são igualmente recebidos, para considerar se devemos corrigir idéias ou ações.
* A autora é correspondente da IPS.
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