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Brasil, superpotência da bioenergia

As exportações de álcool produzido a partir da cana-de-açúcar totalizarão US$ 2 bilhões em 2004, quase três vezes mais do que no ano passado.

RIO DE JANEIRO.- A alta do preço do petróleo e a iminente entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, graças à ratificação por parte da Rússia, aceleram um processo que leva o Brasil a se afirmar como uma potência da bioenergia. As exportações de álcool produzido a partir da cana-de-açúcar devem passar de 800 milhões de litros, no ano passado, para dois milhões este ano, e a expansão tende a se manter com independência dos preços do petróleo. São muitos os países que, como o Japão, se preparam para adicionar etanol à sua gasolina ou aumentar a quantidade desse álcool no combustível, para reduzir a poluição.

Espera-se que as fontes renováveis tenham um decisivo impulso global com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto (1997), que controla a emissão de gases causadores do efeito estufa, responsáveis pela mudança climática. O Senado da Rússia anunciou, no dia 27 de outubro, a ratificação do tratado. Uma vez promulgado pelo Executivo, o Protocolo entrará em vigor, pois estará completado o número de países necessários: aqueles que emitem 55% dos gases que provocam o efeito estufa.

No Brasil, o combustível de fonte renovável recupera a popularidade que teve nos anos 80, e não apenas pelo seu preço menor. Cresce rapidamente a procura por automóveis bicombustíveis, que podem utilizar gasolina, álcool ou qualquer mistura de ambos, que foram lançados no ano passado. Em 1985 e 1986, os veículos movidos a álcool atingiram a fantástica proporção de 76% do total produzido no Brasil. Mas problemas de abastecimento e preços afetaram a credibilidade do programa Proálcool, de substituição de combustíveis, iniciado depois da crise do petróleo de 1973.

A produção de automóveis a álcool atingiu o fundo do poço em 1997, quando foi de 0,06% do total, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Desde então, registrou uma lenta recuperação, acentuada desde o ano passado, quando 84.173 automóveis que usam álcool combustível, incluindo bicombustíveis, representaram 4,6% do total produzido. Este ano, essa quantidade deve crescer cinco vezes, já que a produção de janeiro a setembro somou 253.817 unidades, sendo que em setembro foram 32% do total do mês.

A possibilidade de usar um ou outro combustível contribui, junto com o preço, para resgatar a confiança no álcool, uma vez que elimina o risco de desabastecimento ou súbito aumento de preços. Além disso, toda gasolina no Brasil contém de 20% a 24% de álcool anidro, reduzindo o consumo de petróleo e a poluição. E já se começa a produzir aviões para fumigação movidos a etanol. O subsidiado desenvolvimento do Proálcool custou cerca de US$ 40 bilhões, mas o país “já recuperou esses gastos” e agora colhe os frutos, inclusive pela tecnologia desenvolvida, disse ao Terramérica o pesquisador Osvaldo Stella Martins, do Centro Nacional de Referência em Biomassa.

A cana necessária para fazer do Brasil o maior produtor mundial de açúcar e álcool gera grande quantidade de bagaço, fonte de calor e eletricidade, que serve o mercado energético, além de alimentar as próprias centrais açucareiras e destilarias. Agora, o novo programa de biodiesel entusiasma pesquisadores e empresários. O governo anunciou que autorizará, em novembro deste ano, sua adição ao diesel, na proporção de 2%, que chegará a 5% dentro de alguns anos. Além de reduzir importações e melhorar o meio ambiente, esse programa será de inclusão social, ao gerar centenas de milhares de empregos e favorecer a agricultura familiar em áreas pobres, segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos.

Por essa razão se pensa em priorizar a produção a partir da mamona (Ricinus communis) no nordeste, a região mais pobre do país, mas o biodiesel de mamona deverá ser fortemente subsidiado, já que custa o triplo do petrolífero, disse Martins, engenheiro mecânico com doutorado em Ecologia e Recursos Naturais. O óleo de mamona, matéria-prima de centenas de produtos químicos, medicinais e cosméticos, tem grande demanda mundial não atendida, e seria mais lógico promover sua produção como insumo industrial, em lugar de utilizá-lo para biodiesel e carregar a sociedade com o custo dos subsídios para “resolver um problema” da Petrobrás, acrescentou o especialista. O problema é que a Petrobrás deve produzir diesel sem enxofre, por motivos ambientais, e lhe convém substituir esse aditivo lubrificante por biodiesel, transferindo custos à sociedade, explicou Martins.

De todo modo, também se pesquisa no sentido de produzir biodiesel a partir de vários outros vegetais, e inclusive a partir de resíduos orgânicos urbanos. A alternativa que mais entusiasma o especialista, bem como a Laércio Couto, engenheiro florestal e presidente da Rede Nacional de Biomassa para Energia, é a utilização de dejetos de madeira e agrícolas. A produção de madeira aproveita apenas 45% da árvore, e deixa uma “fantástica” riqueza em biomassa, disse Couto ao Terramérica. Os resíduos compactados em esferas ou cilindros, para reduzir volume e umidade, além de facilitar o transporte, começam a ser exportados para a Europa. No ano passado foram vendidas 40 mil toneladas, enquanto a demanda é de dois milhões de toneladas, ressaltou.

O Brasil, com sua disponibilidade de terras, sol e água, é um grande produtor de biomassa, e a fotossíntese faz do país uma potência energética, segundo José Batista Vidal, o “pai” do Proálcool. Entretanto, as longas distâncias e a insuficiente infra-estrutura que encarecem o transporte ainda travam o negócio energético bem além do aproveitamento local, lembrou Couto.

* O autor é correspondente da IPS.




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