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Tsunami aniquilou arrecifes

Por Sonny Inbaraj*

As ondas gigantes destruíram quase completamente a barreira de coral de Andaman e Nicobar, a maior do sul da Ásia e sustento das comunidades locais.

BANGCOC.- Enquanto as equipes de resgate continuam sua frenética busca por sobreviventes do maremoto que em dezembro assolou as costas do Sul e Sudeste da Ásia, biólogos marinhos, mergulhadores e funcionários da região procuram avaliar o dano causado aos ecossistemas do Mar de Andaman. Inspeções preliminares ao longo da costa oeste da Tailândia indicam que a situação não é tão grave quanto se temia, mas longas cadeias de bancos de ostras e arrecifes de coral perto da costa do Sul da Índia podem ter sido completamente arrasados pela tsunami, que causou a morte de mais de 150 mil pessoas. A zona de influência do Mar de Andaman, que se liga ao Oceano Índico, inclui Tailândia, Índia, Mianmá (Birmânia), Indonésia e Malásia.

Na barreira de coral das ilhas indianas de Andaman e Nicobar, a maior do Sul da Ásia, a tsunami causou destruição em grande escala e os cientistas acreditam que a recuperação do precioso ecossistema, que abriga cerca de 200 espécies de corais e 400 de peixes, poderá levar muito tempo. Os arrecifes dessas ilhas, que só eram superados em sua extensão e biodiversidade pelos da Grande Barreira de Coral australiana, foram praticamente “apagados do mapa”, segundo N. R. Chattopadhyyay, decano de Ciências Pesqueiras da Universidade de Ciências Pesqueiras e Animais da cidade indiana de Kolkata (ex-Calcutá).

“É nossa primeira experiência com tsunamis, mas podemos ver que demorará muito tempo para se superar a devastação causada à vida marinha, especialmente em arrecifes e bancos naturais de ostras produtoras de pérolas”, afirmou Chattopadhyay ao Terramérica. Os arrecifes de coral são fundamentais no desenvolvimento econômico e social das nações que os possuem. As pescas nos arrecifes são uma fonte vital de alimento e emprego: somente no sudeste asiático geram mais de US$ 2,4 bilhões anuais, segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Os arrecifes de Andaman e Nicobar foram afetados tanto pelas grandes e fortes ondas quanto pelas inevitáveis marés de lama depois da tsunami, explicou o diretor regional indiano de Pesquisa Zoológica nas ilhas Andaman, D. R. K. Sastry.

Na Tailândia, entretanto, biólogos descobriram que a onda gigante de aproximadamente 11 metros de altura que atingiu as ilhas de Phuket, Phang Nga e Krabi não foi acompanhada ali por grandes movimentos submarinos das águas. “Tão logo passou a tsunami, fomos rapidamente ver o que havia ocorrido com os principais arrecifes, pensando que encontraríamos uma devastação irreparável, mas a situação que encontramos causou alívio”, explicou o diretor da equipe de pesquisa do Centro Biológico Marinho de Phuket, Ikrit Satapoomin. Trata-se, contudo, de uma inspeção preliminar, segundo o ministro tailandês de Recursos Naturais e Meio Ambiente, Suwit Khunkitti. “Em média, de 5% a 10% dos arrecifes em águas profundas foram afetados, mas em algumas áreas foram arrasados completamente. Em águas pouco profundas, os danos atingem de 5% a 30% dos corais, também com algumas zonas destruídas”, informou o ministro.

Um terço da linha costeira da Tailândia (700 quilômetros) dá no Mar de Andaman, onde se localiza a metade dos arrecifes do país, que são o principal sustento das comunidades locais. Devido às águas turvas, os corais são impedidos de receberem a luz solar de que necessitam para sobreviver, e Suwit indicou que mergulhadores da marinha de guerra tailandesa, acompanhados por civis voluntários, procuram salvar arrecifes cobertos de areia. “Trabalham rapidamente, mas necessitam de mais apoio. Dez países ofereceram ajuda ao programa de reabilitação do meio ambiente marinho da Tailândia, e espero que esta chegue logo, porque não há tempo a perder”, ressaltou. Os corais das ilhas Phuket são os que correm maior perigo, por se localizarem em águas profundas.

Setenta por cento das espécies marinhas do Mar de Andaman vivem em ecossistemas coralinos, e é inevitável que sejam alteradas por mudanças abruptas como a causada pela tsunami, “mas é muito cedo para dizer o quanto se modificarão”, informou ao Terramérica o biólogo marinho Suchnit Deetae, da Universidade Kasetsart, com sede em Bangcoc. O especialista destacou a importância das bases de dados ambientais. “Felizmente temos pelo menos um mapa dos corais do mar de Andaman, que nos permite comparar o tamanho dos arrecifes antes e depois do maremoto. Mas necessitamos de mais dinheiro para avançar na classificação das espécies marinhas e nos prepararmos melhor para eventuais desastres”, afirmou.

O Ministério de Recursos Naturais da Tailândia será obrigado a fechar temporariamente os dez parques naturais em Phuket, Phnag Nga e Krabi, ou limitar o acesso turístico a eles. ”É muito cedo para dizer por quanto tempo, e devemos deixar que a natureza tome seu curso para restaurar a beleza”, acrescentou Suwit.

* O autor é correspondente da IPS.




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Enlaces Externos

Autoridade de Turismo da Tailândia

Clube de Operadores de Mergulho da Tailândia

Cyber Diver News Network

Situação dos arrecifes de coral no mundo, WWF (informe)

Corais e, perigo nol sudeste da Ásia, WRI, (informe)

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