Acentos.
PNUMAPNUD
Edición Impresa
MEDIOAMBIENTE Y DESARROLLO
 
Inter Press Service
Buscar Archivo de ejemplares Audio
 
  Home Page
  Ejemplar actual
  Reportajes
  Análisis
  Acentos
  Ecobreves
  Libros
  Galería
  Ediciones especiales
  Gente de Tierramérica
                Grandes
              Plumas
   Diálogos
 
Protocolo de Kyoto
 
Especial de Mesoamérica
 
Especial de Agua de Tierramérica
  ¿Quiénes somos?
 
Galería de fotos
  Inter Press Service
Principal fuente de información
sobre temas globales de seguridad humana
  PNUD
Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo
  PNUMA
Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente
 
Acentos


Mapas ignoram lagos e lagoas

Por Diego Cevallos*

Aproximadamente mil corpos de água não aparecem na cartografia da América Central, segundo novo estudo.

MÉXICO.- Pelo menos mil represas, lagos e lagoas, onde a atividade pesqueira cresce sem controle, não estão registrados nos mapas da América Central, de acordo com os resultados preliminares de um novo estudo a respeito. Os registros cartográficos indicam que há 515 corpos de água continentais na região, mas na realidade são 1.500 e ocupam cerca de 15 mil quilômetros quadrados, segundo a pesquisa feita pelo Projeto Regional de Pesca e Aqüicultura Continental (Prepac), cujas conclusões serão divulgadas em março. Os atuais mapas centro-americanos apontam a existência de lagoas e lagos que já desapareceram por causa do manejo ambiental incorreto e ignoram outros. Além disso, é mínima a informação sócio-econômica sobre seus usuários, afirma o Prepac.

“Descobrimos que existem mais corpos de água do que os registrados e que em vários há pesca excessiva e em outros destruição do meio ambiente”, disse ao Terramérica Mario González, diretor do Prepac, órgão que responde à intergovernamental Organização do Setor Pesqueiro e Aqüífero do Istmo Centro-americano. A população ao redor dos corpos de água continentais cresce aceleradamente. Pelo menos cerca de 45 mil pessoas das camadas sociais mais pobres da região encontram sustento em zonas lacustres. “Há cada vez mais população em volta desses corpos de água, onde a pesca praticamente não está regulamentada e não existem planos de manejo”, disse González.

Na América Latina são quase inexistentes as regulamentações de pesca em águas continentais porque em círculos especializados se considera um marco o estudo do Prepac, e espera-se que suas conclusões levem a planos de manejo lacustres. “Devido aos problemas na pesca marinha e à pobreza dos agricultores, muitos moradores pobres estão se dirigindo às lagoas para obter seu alimento”, explicou González. Norberto Romero, presidente da Confederação Centro-americana de Pescadores Artesanais, corroborou a afirmação: “De fato, muitos companheiros já não encontram trabalho no mar e foram em busca de outros lugares para pescar”, disse ao Terramérica de seu escritório em El Salvador.

Por exemplo, na represa salvadorenha de Cerro Grande a quantidade de pescadores no período 1990-2004 passou de 600 para quatro mil, sem que exista algum plano de manejo para o lugar. A pesca marinha em toda a América Central esteve em declínio nos últimos anos devido à excessiva captura e às práticas depredadoras, que incluem uso de dinamite, venenos para água e artefatos pouco específicos, que capturam espécies não desejadas ou exemplares ainda em fase de crescimento. A região possui 6.603 quilômetros de costas, ou seja, 12% das existentes na América Latina e no Caribe. Nesses litorais moram 21,6% dos centro-americanos. Trata-se de setores que empobreceram pela degradação do meio ambiente e escassez da pesca, atividade que ainda gera para a região renda anual de aproximadamente US$ 750 milhões e da qual dependem aproximadamente 200 mil empregos.

Diversos estudos indicam que continua o uso de explosivos e outros métodos de pesca não sustentáveis, apesar de os governos realizarem esforços para regulamentar ou eliminar essas práticas. “Grande parte do esgotamento das águas ocorre porque a pesca industrial usa métodos depredadores. São as empresas e não os pequenos pescadores que acabam com a riqueza”, afirma Romero. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, um terço dos litorais da Mesoamérica (México e América Central) enfrenta graves ameaças devido á superexploração de recursos, alta concentração de infra-estrutura viária, portuária ou petroleira e pressão de atividades pesqueiras, entre outras causas.

* Correspondente da IPS.




Copyright © 2007 Tierramérica. Todos los Derechos Reservados