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“Haverá falta de imaginação depois de Kyoto”

Por Diego Cevallos*

Klaus Toepfer, a máxima autoridade global em meio ambiente, conversou com o Terramérica às vésperas da entrada em vigor do Protocolo de Kyoto.

MÉXICO.- O Protocolo de Kyoto (1997), tantas vezes dado como morto, finalmente entrará em vigor no dia 16 de fevereiro. Segundo seus críticos, este acordo global para controlar a mudança climática chega tarde e mal: não só suas metas de redução de emissões são modestas (5,2% em relação aos níveis de 1990) como também vários países industrializados não serão capazes de cumpri-las até 2012. No entanto, a comunidade global já esquenta os motores para iniciar este ano as negociações para depois de Kyoto, quando diversas previsões científicas indicam que as variações climáticas poderão ser piores do que pensamos.

A máxima autoridade ambiental do mundo, Klaus Toepfer, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), conversou com o Terramérica de sua sede em Nairóbi, no Quênia.



-- O que podemos esperar de Kyoto? Alguns observadores temem que os países desenvolvidos não consigam cumprir as metas até 2012.

-- Não compartilho dos prognósticos pessimistas. A entrada em vigor do Protocolo é um passo crucial na luta contra a mudança climática. Agora os países industrializados têm a obrigação legal de reduzir suas emissões, e têm que reportá-las à opinião pública mundial. Não acredito em questionar se essas metas são ou não possíveis de serem alcançadas. Os governos decidiram fazê-lo e farão todo o possível para cumpri-las.



-- O caso do Canadá é sintomático, alertou-se que não poderá cumprir a meta de Kyoto sem investir cerca de US$ 1 bilhão ao ano para comprar créditos de carbono de países como a Rússia.

-- Não posso julgar um país em particular, mas não culpo os governos por usarem os mecanismos do Protocolo. Comprar emissões é válido através dos três instrumentos do tratado: intercâmbio de emissões, implementação conjunta e mecanismos de desenvolvimento limpo. Em especial este último me parece vital, pois permite aos países industrializados cumprirem suas metas através do investimento em tecnologias energéticas mais limpas no mundo em desenvolvimento. É uma sociedade positiva para as duas partes.



-- Os críticos afirmam que as indústrias da energia e o transporte no Norte resistem à eficiência energética. Como o senhor avalia isto?

-- O cumprimento das metas do Protocolo de Kyoto é possível somente se estiverem comprometidos os dois lados da moeda. Um é o desenvolvimento das energias renováveis, o outro é, efetivamente, a eficiência energética, isto é, usar a energia disponível com mais inteligência. Vejo que as grandes companhias automobilísticas já estão batendo recordes de vendas com, por exemplo, carros de motores híbridos (que misturam, por exemplo, gasolina e eletricidade). A eficiência energética na indústria de transporte é muito importante, e também o é em outros setores, incluindo as residências.



-- Qual deveria ser a prioridade no debate depois de Kyoto?

-- A grande questão é a adaptação para a mudança climática em países em desenvolvimento, isto é, como apoiá-los para enfrentar seus efeitos. Temos de ter uma visão muito ampla para as negociações no futuro, para imaginar novas alianças, metas mais ambiciosas. Por exemplo, fortalecer a cooperação entre cidades, entre regiões, e fomentar o compromisso das empresas para reduzir emissões. Necessitamos de muita imaginação. O desafio que enfrentamos é enorme e não podemos nos dar ao luxo de restringir o pensamento.



-- Foi proposto estabelecer um teto global para a concentração de CO2 na atmosfera, e a partir daí fixar limites globais de emissão, o que obrigaria também o mundo em desenvolvimento a reduzir os gases causadores do efeito estufa. O que o senhor pensa disso?

-- De fato, se falou em diversos fóruns sobre o estabelecimento desse limite máximo. Mas isso não muda um princípio substancial acordado no Rio de Janeiro, em 1992: as responsabilidades comuns, mas diferenciadas, em matéria de mudança climática. Isso significa que são os países desenvolvidos que devem assumir a liderança, praticar reduções e desenvolver tecnologias para uma economia menos dependente do carvão.



-- É plausível que os Estados Unidos (que não ratificaram o Protocolo de Kyoto) retornem às negociações sobre clima?

-- Há muita coisa acontecendo agora nos Estados Unidos. Existem numerosas atividades relativas à mudança climática, por exemplo, no Estado da Califórnia, e há um intenso debate nacional sobre políticas energéticas. Além disso, a ampliação do fornecimento e a eficiência energética são objetivos econômicos cruciais nos Estados Unidos. Por isso sou muito otimista.



-- Na semana passada, um destacado cientista britânico disse que a Antártida não é um gigante adormecido, como a caracterizou o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, sigla em inglês), e que está acordado e pode causar um dramático aumento do nível do mar. O que o senhor pensa disso?

-- Não sou um cientista do clima, mas posso dizer que há pouco estive no Ártico e vi o derretimento de geleiras, e este é um processo muito rápido. Agora, me apego às avaliações do IPCC e lhe asseguro que esta informação de vários cientistas é levada muito a sério e estará integrada ao IPCC.

* O autor é correspondente da IPS.


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