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Cultura Mapuche, boa para a saúde e o paladar

Por Daniela Estrada*

Indígenas chilenos abrem farmácias e restaurantes para divulgar sua cosmovisão e criar fontes de emprego. A maioria dos 600 mil mapuches vive em situação de pobreza.

SANTIAGO, 19 fev - Medicinas e pratos tradicionais dos mapuches, o principal povo indígena do Chile, abrem passagem no mercado e no gosto do público. Farmácias e restaurantes se convertem em nova fonte de renda para esta etnia e na melhor vitrine de sua cultura. Marta, de 81 anos, utiliza o medicamento Pelu para a dolorosa artrite que a afeta. María Isabel, de 60 anos, é fiel ao Uñoperken, receitado para irritação no cólon, enquanto Érica, de 45, tem um mioma uterino e não vacila em ingerir Kintral, indicado para casos de câncer. Há um mês, estas três chilenas complementam seus tratamentos da medicina tradicional com produtos mapuches, feitos com base em 47 ervas nativas trazidas dos campos da região de Araucanía, a 700 quilômetros ao sul da capital, onde se concentra a maior parte desta etnia.

Todas são clientes da Makewelawen, a primeira farmácia mapuche do país, inaugurada há dois anos em Temuco, capital de Araucanía, e que já conta com quatro lojas no país, sendo outras duas em Santiago e uma em Concepção. As clientes não poupam elogios aos efeitos das 45 gotas que ingerem diariamente (ervas diluídas em água e álcool) que vêm em frascos de 40 mililitros, com preços entre US$ 4 e US$ 5. “Contamos com todas as autorizações exigidas pelo Ministério da Saúde”, disse ao Terramérica Cecília Ramírez, a química farmacêutica encarregada de uma das lojas de Santiago. Além disso, estão em andamento os trâmites para patentear os medicamentos, cujas únicas contra-indicações são gravidez e lactância.

Esta “medicina tradicional complementar”, com a define Ramírez, está indicada para tratar mais de 50 patologias e se transformou em um verdadeiro fenômeno entre chilenos e estrangeiros. Em Temuco, um hospital administrado por uma comunidade mapuche complementa a medicina ocidental com a indígena, em uma iniciativa incentivada há 10 anos por um programa especial do Ministério da Saúde. Na cosmovisão mapuche, não existem as “doenças”. As dores físicas e do espírito são produto do desequilíbrio entre corpo e alma. Isto significa que quando uma pessoa não se encontra em harmonia está inclinada a receber um “mal”, que deve ser tratado integralmente por uma machi, ou curandeira.

O sucesso desta irrupção cultural chega à gastronomia. O primeiro restaurante especializado em comida mapuche, o Kokaví, abriu suas portas em Temuco há algumas semanas. Ali as pessoas encontram os ingredientes mais apreciados pelos chilenos: quínoa (cereal rico em proteínas e livre de colesterol) e o merkén, um pó à base de pimentão cacho-de-cabra (um tipo de pimenta) e sementes de coentro moído. Nesta gastronomia também estão presentes carnes de vaca, porco, ave, cavalo e cordeiro, cereais como trigo e milho, pinhão autóctone da Araucanía, batatas, feijões e diversas verduras. Inclusive, antes da inauguração do Kokaví os pratos e alimentos tradicionais já tinham certa notoriedade, incorporados aos cardápios de vários hotéis e restaurantes de prestígio.

“As pessoas querem retomar o ancestral porque estão cansadas dos problemas de saúde que o junk food acarreta”, disse ao Terramérica Eliana Queupumil, uma das fundadoras do grupo Ad Malen, que reúne várias famílias mapuches de Santiago e que prepara banquetes baseados em sua gastronomia. “A comida mapuche é mais natural porque é feita com alimentos orgânicos de grande valor nutritivo”, como o catuto (bolachas brancas de trigo), os digueñes (fungos comestíveis que crescem nos carvalhos) e o mudai de trigo (bebida típica), afirmou. No novo nicho de mercado da cultura mapuche já existe a concentração da propriedade.

Rosalino Moreno Catrilaf é dono da farmácia Makewelawen, do Kokaví e do Mapuche Kimun, um periódico em língua mapuche que circula em Santiago e no sul do Chile. “Creio que em um mundo globalizado como este, desenvolver empresas e negócios é a única forma de nos mantermos vigentes, cultivar nossa concepção do mundo e divulgar nossa cultura sem os preconceitos colocados pelos ocidentais”, disse Catrilaf ao jornal Lãs Últimas Notícias, que o apresentou como fundador do primeiro consórcio mapuche. O empresário sonha com uma universidade que tenha cursos em sua língua materna (mapudungun) e um centro de saúde integral que trate os pacientes exclusivamente com técnicas mapuches. As lojas e negócios representam a criação de novas fontes de trabalho para o povo mapuche, majoritariamente afundado na pobreza.

Os mapuches (pouco mais de 600 mil pessoas) constituem 87% da população indígena do Chile e 4% do total de seus 15 milhões de habitantes. “Me alegro pelo boom que estão tendo agora nossos produtos, mas creio que demorou muito para serem descobertos”, disse ao Terramérica o presidente da Associação de Empresários Mapuches, Francisco Painepán. Painepán, dono da fábrica de ferragens Lautaro, advertiu que o conceito de desenvolvimento de seu povo é muito diferente do ocidental. Eles “trabalham para viver e não vivem para trabalhar. Nosso progresso econômico está em relação direta com a preservação de nossa identidade”, afirmou. Um mapuche nunca sacrificaria sua vida familiar e pessoal para aumentar seu capital, acrescentou.

* A autora é correspondente da IPS.


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