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Artigo


Indústria automobilística desafia lei californiana

Por Katherine Stapp*

Todos os novos veículos na Califórnia devem emitir 30% menos CO2 em 10 anos, segundo esta legislação única no mundo. Os fabricantes recorreram aos tribunais. Ford, General Motors e Chrysler |estão no fim da fila quando se fala em redução de gases causadores do efeito estufa”, disse ao Terramérica Jason Mark, da União de Cientistas Preocupados, com sede em Massachusetts.

NOVA YORK, 19 fev - Uma batalha entre fabricantes de automóveis e o governo do Estado da Califórnia, que tenta reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa no transporte, pode ganhar dimensões nacionais e internacionais, afirmam ativistas. O setor do transporte nos Estados Unidos libera sozinho mais dióxido de carbono (CO2, principal gás no efeito estufa) do que a economia inteira de qualquer outra nação, menos a China, segundo o Centro Pew sobre Mudança Climática Global, com sede no Estado da Virgínia.

Enquanto o governo de George W. Bush questiona o consenso científico sobre a influência humana da mudança climática, muitos Estados federais aplicam suas próprias estratégias para limpar os céus. Poucos são mais firmes do que a Califórnia, que em setembro adotou uma lei única no mundo: a primeira que impõe limites aos gases causadores do efeito estufa dos veículos de passageiros. A nova legislação dá às montadoras 10 anos para conseguirem que todos os novos veículos vendidos dentro do Estado emitam 30% menos dióxido de carbono.

A Califórnia exerce considerável poder na indústria automobilística. Seus habitantes compram mais de 1,5 milhão de veículos novos por ano, quase a décima parte do mercado nacional. Também tem fama de ser líder em políticas ambientais, que se tornam exemplo para outros Estados do país. De fato, projetos semelhantes foram aprovados em sete Estados do nordeste: Nova York, Nova Jersey, Connecticut, Rhode Island, Massachusetts, Maine e Vermont. Tal como se previa, a Aliança dos Fabricantes de Automóveis (AAM, sigla em inglês) e a Associação Internacional dos Fabricantes de Automóveis entraram com recurso contra a lei nos tribunais.

A maioria dos fabricantes reconhece o problema da mudança climática, mas argumentam que os padrões californianos não são realistas e acabarão custando aos consumidores milhares de dólares a mais nos preços dos carros. Também alegam que a Califórnia se excedeu em sua jurisdição ao estabelecer uma norma uniforme de economia de combustível, que é competência do governo federal. O Protocolo de Kyoto, em vigor desde o dia 16 de fevereiro, obriga 35 nações industriais a reduzirem suas emissões de gases que aquecem a atmosfera a volumes 5% inferiores ao que era emitido em 1990, com prazo entre 2008 e 2012.

Mas os Estados Unidos não estão obrigados, pois não ratificaram o tratado, alegando que sua aplicação seria muito cara e causaria a perda de milhões de postos de trabalho. “A Casa Branca não fez nada para reduzir as emissões de gases dos automóveis”, disse ao Terramérica Jason Mark, diretor do programa de veículos limpos da União de Cientistas Preocupados (UCS), um grupo ambientalista com sede em Massachusetts. E os “Três Grandes” fabricantes de veículos de Detroit (Ford, General Motors e Chrysler) estão “no final da fila quando se fala de redução de gases causadores do efeito estufa”, acrescentou. Estes gases, como o dióxido de carbono e o metano, são liberados principalmente pela queima de petróleo, gás e carvão.

As companhias “têm estratégias de investimento de prazo muito curto que demonstraram não serem modelos empresariais prudentes. O Japão vem ganhando porções do mercado há décadas. Em definitivo, o que está em jogo é a transformação da indústria automobilística dos Estados Unidos”, disse Mark. A UCS afirma que existe tecnologia para reduzir em 20% a contaminação de todos os novos veículos da Califórnia, melhorando os sistemas de acondicionamento do ar, os motores, a transmissão e reduzindo cargas. Tudo isso também levaria a um consumo de combustível. E segundo o grupo, novas técnicas ainda em desenvolvimento poderão levar a redução a até 40% nos próximos cinco anos.

A porta-voz da AAM, Gloria Bergquist, garantiu que a indústria automobilística “já gastou milhares de milhões de dólares em moderna tecnologia: temos mais de 30 modelos à venda ou em desenvolvimento”. Os compradores de veículos mais limpos demorariam 16 anos para recuperar a diferença prevista de preços (entre US$ 1 mil e US$ 3 mil) no que economizam de combustível, acrescentou. “Embora haja uma recompensa no final do caminho, os consumidores são reticentes em assumir maiores custos”, ressaltou. A nova legislação também foi recebida com ceticismo na japonesa Toyota, que vendeu cerca de mil carros híbridos nos Estados Unidos desde 2000 e faz parte da Califórnia Fuel Cell Partnership, um grupo de colaboração do governo, fabricantes e companhias de motores a hidrogênio (conhecidos como células de combustível) para a introdução dessa tecnologia limpa. “Simpatizamos com a nova legislação, mas pensamos que não é aplicável”, disse ao Terramérica Cindy Knight, porta-voz da Toyota.

Knight reafirmou que sua empresa considera a mudança climática “um assunto sério” e garantiu que todas suas filiais no mundo devem realizar planos de ação qüinqüenais em torno de vários problemas ambientais, entre eles as emissões de CO2. O aliado dos fabricantes é Bush, que se opôs a tentativas do Congresso em limitar as emissões de carbono e melhorar a eficiência no consumo de gasolina, apesar de o país viver seu pior momento dos últimos 24 anos em matéria de economia de combustível. Uma pesquisa feita depois das eleições de novembro, quando Bush foi reeleito, revelou importante apoio às leis para carros mais limpos. Setenta e três por cento dos entrevistados apoiaram a lei californiana, segundo o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, que encomendou a pesquisa.

Os veículos com motores híbridos (gasolina e eletricidade) ganham lentamente terreno entre o público. A alta do preço internacional do petróleo influi nas decisões. O governo federal oferece um incentivo em impostos de até US$ 2 mil para o comprador de um carro híbrido, mas o benefício se reduzirá a apenas US$ 500 em 2006 e será eliminado em 2007. Alguns fabricantes asiáticos, a vanguarda da indústria de veículos limpos, anunciaram planos de economia energética em suas fábricas e maior produção de modelos limpos.

A sul-coreana Hyundai Motor Co. lançou no dia 14 de fevereiro uma equipe de trabalho para cumprir “sistematicamente” o Protocolo de Kyoto. Em 2006, a Toyota colocará no mercado dois modelos esportivos híbridos e promete atingir em 2010 uma redução de 10% em suas emissões de carbono em relação a 1990. “As companhias japonesas são dirigidas por engenheiros, as dos Estados Unidos por contadores. Estamos vendo resultados notoriamente diferentes”, afirmou Mark. A Ford não tinha ninguém disponível para responder as perguntas do Terramérica.

* Editora regional da IPS para a América do Norte e o Caribe.


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Enlaces Externos

União de Cientistas Preocupados (UCS), en inglês

Aliança dos Fabricantes de Automóveis, en inglês

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