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Violência contra ativistas ambientais
O assassinato, no dia 12 de
fevereiro, da freira norte-americana Dorothy Stang
no Estado do Pará, na Amazônia brasileira,
atraiu a atenção internacional sobre
a questão dos direitos humanos dos ativistas
ambientais. O Terramérica oferece nesta seção
um guia para navegação a respeito do
assunto na Internet.
Dorothy Stang, de 73 anos, nacionalizada
brasileira, trabalhou durante quatro décadas
em favor dos camponeses pobres da Amazônia,
em colaboração com a Comissão
Pastoral da Terra. No final dos anos 90 começou
a ser ameaçada de morte por parte de fazendeiros.
No sábado, dia 12 de fevereiro,
foi morta com seis tiros, supostamente disparados
por dois sicários. O governo do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, que enviou o Exército
para a região a fim de controlar a violência
agrária, comparou o caso com o de Chico
Mendes, um dos mártires ambientais mais
conhecidos, assassinado em 1988.
Líderes ambientalistas
ao redor do mundo, freqüentemente ligados à
defesa de ecossistemas que são lar de comunidades
originárias pobres, são sistematicamente
ameaçados, detidos, torturados e assassinados,
segundo denunciam organizações não-governamentais.
As campanhas específicas
em favor dos defensores do meio ambiente ganharam
impulso global em meados dos anos 90, depois do assassinato
de Ken Saro Wiwa, poeta
e ativista da Nigéria que mobilizou a comunidade
originária ogoni em um protesto pacífico
contra a companhia de petróleo Shell, pelos
danos que causou ao meio ambiente nesse país
africano.
Saro Wiwa foi enforcado em 1995 junto com outros oito
ativistas ogoni por ordens do então ditador
nigeriano Sani Abacha. Seu assassinato motivou duas
poderosas ongs dos Estados Unidos, Anistia
Internacional e Sierra
Club, a organizarem uma ampla campanha para chamar
a atenção sobre o vínculo entre
direitos humanos e meio ambiente.
Em outubro de 1995, as duas organizações,
mais a ong TransAfrica,
enviaram cartas para, entre outros, o então
presidente Bill Clinton, dos Estados Unidos, e o então
primeiro-ministro da Grã-Bretanha, John Major,
alertando-os para a grave situação de
deterioração dos direitos humanos na
Nigéria.
As duas organizações
lançaram mais tarde, entre 1999 e 2002, outra
campanha conjunta, a Defendendo
os Defensores, para pressionar o governo norte-americano
a fim de que agisse em casos de violações
dos direitos de ativistas verdes no mundo.
Na América Latina, há
poucos informes detalhados sobre o assunto. Um dos
primeiros esforços de compilação
foi realizado pelo Centro
de Direitos Humanos e Meio Ambiente (Cedha), com
sede na Argentina. Em seu relatório O
Custo Humano de Defender o Planeta, o Cedha relata
numerosos casos, como o do dirigente trabalhista Oscar
Olivera, que recebeu o prêmio ambiental
Goldman por seus esforços contra os planos
de privatização da água na Bolívia.
O Cedha também cita os protestos dos indígenas
pehuenches contra a construção da central
hidrelétrica Ralco, no Chile, e a mobilização
contra o corte de florestas nativas no departamento
hondurenho de Olancho, liderada pelo sacerdote Andrés
Tamayo.
Os ativistas ambientais encontram-se
em uma situação particular de dupla
vulnerabilidade, diz o Cedha. A maioria dos casos
que defendem choca-se não só com interesses
do Estado, mas também com os de poderosos grupos
econômicos em conivência com o Estado,
diz o documento.
Os casos dos camponeses mexicanos
Rodolfo Montiel e Teodoro Cabrera, presos por sua
oposição ao corte de florestas, foram
incluídos no relatório Dez
Casos Urgentes de Abusos dos Direitos Humanos,
das ongs Anistia Internacional e Sierra Club. O documento
também chamou a atenção para
os problemas enfrentados pelo povo kiwchua da província
amazônica de Pastaza, no Equador, contrário
à exploração de petróleo.
Especialistas em direito ambiental no continente promovem
uma campanha para motivar a comunidade indígena
e ativistas ambientais a apresentarem petições
junto à Comissão
Interamericana de Direitos Humanos, depois do
célebre caso Awas Tingni, que criou jurisprudência
em 1988.
A comunidade indígena
sumo, da Nicarágua, conseguiu que a Comissão
considerasse ilegal o corte de floresta em seu hábitat,
e com isso estabeleceu, pela primeira vez, a competência
de um tribunal de direitos humanos para apreciar casos
ambientais. O povo
inuit, das terras árticas, encaminhará
nas próximas semanas uma petição
à Comissão, com a esperança de
que estabeleça que os Estados Unidos, como
maior emissor de gases responsáveis pelo aquecimento
global, sejam responsabilizados pelos danos ambientais
que ameaçam sua sobrevivência.
Cedha
Sierra
Club
Anistia
Internacional
Chico
Mendes
Defendendo
os Defensores
Dez
Casos Urgentes
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