Reportajes
PNUMAPNUD
Edición Impresa
MEDIOAMBIENTE Y DESARROLLO
 
Inter Press Service
Buscar Archivo de ejemplares Audio
 
  Home Page
  Ejemplar actual
  Reportajes
  Análisis
  Acentos
  Ecobreves
  Libros
  Galería
  Ediciones especiales
  Gente de Tierramérica
                Grandes
              Plumas
   Diálogos
 
Protocolo de Kyoto
 
Especial de Mesoamérica
 
Especial de Agua de Tierramérica
  ¿Quiénes somos?
 
Galería de fotos
  Inter Press Service
Principal fuente de información
sobre temas globales de seguridad humana
  PNUD
Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo
  PNUMA
Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente
 
Artigo


As bases da vida em perigo

Por Stephen Leahy*

Aproximadamente 30% de todos os mamíferos, aves e anfíbios podem desaparecer, reduzindo a qualidade dos serviços dos ecossistemas, segundo avaliação de cientistas.

Brooklin, CANADÁ.- A extinção de espécies acontece mil vezes mais rápido do que em qualquer outra época histórica, e ameaça 30% de todos os mamíferos, aves e anfíbios, segundo a Avaliação de Ecossistemas do Milênio, cujos primeiros resultados foram divulgados no dia 30 de março. Esta acelerada perda de biodiversidade no planeta coloca em risco 60% dos ecossistemas necessários à vida, indica a pesquisa lançada em 2001 pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, ao custo de US$ 22 milhões. O Informe de Síntese da Avaliação, resultado do trabalho de 1.300 especialistas de 95 países, destaca que 15 dos 24 serviços de ecossistemas que sustentam a vida na Terra atualmente são degradados ou usados de maneira não sustentável.

Um ecossistema é um complexo dinâmico de vegetais, animais, comunidades de microorganismos e seu ambiente (água, ar, luz do sol) que interagem como uma unidade funcional, e seus “serviços” são as funções que realizam e que contribuem para a reprodução da vida, incluindo o controle do clima. “A biodiversidade sustenta os ecossistemas. A redução de espécies diminui o tipo e a qualidade dos serviços de ecossistemas”, explicou ao Terramérica Janet Ranganathan, diretora de Recursos Biológicos do não-governamental Instituto de Recursos Mundiais, com sede em Washington. “Os serviços de ecossistemas são o elo entre a conservação e o desenvolvimento humano”, afirmou. Entre os serviços de uma floresta, por exemplo, estão produzir oxigênio, purificar a água, prevenir erosões e inundações, capturar dióxido de carbono e fornecer habitat a diversas espécies.

Desmatar completamente uma floresta gera renda para alguns poucos, mas causa perda de biodiversidade e de serviços de ecossistema durante muitos anos, ou de forma definitiva, para um número muito maior de pessoas. “Se compreendermos isto, seremos muito mais conscientes das alternativas e compensações envolvidas na conversão de áreas naturais”, destacou Ranganathan. Os autores do estudo indicaram que os danos causados pela degradação de serviços de ecossistemas podem aumentar significativamente nos próximos 50 anos. Um quarto da superfície terrestre do planeta está dedicado a cultivos agrícolas, pastagens e outros usos relacionados com a produção de alimentos, em grande parte devido a conversões recentes. Desde 1945, são dedicados ao cultivo mais terrenos do que na soma dos séculos XVIII e XIX, de acordo com os autores do informe.

Estas conversões se realizaram para atender importantes necessidades de alimentos, madeira para construção, fibras e combustíveis, mas também causaram “uma perda substancial, e em grande parte irreversível, da diversidade da vida na Terra”, ressaltaram os especialistas. Mais de 15.500 espécies estão em extinção e outras 60 mil em risco de extinção, segundo a Lista Vermelha da União Mundial para a Natureza (IUCN, sigla em inglês). A perda de uma espécie após sobreviver centenas de anos é por si só perturbadora, e seu papel na cadeia da vida pode ser irreparável. “A redução da biodiversidade enfraquece a resistência da biodiversidade para o fornecimento de serviços biológicos”, afirmou David Cooper, do Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica, com sede na cidade canadense de Montreal.

Por exemplo, uma floresta de uma única espécie, produto do reflorestamento comercial, é mais vulnerável diante de um incêndio do que as florestas naturais e biodiversas, disse o especialista ao Terramérica. A remoção de mangues ricos em biodiversidade aumenta o risco de inundações, porque esses sistemas atuam como esponjas, além de eliminar contaminantes da água, incluindo os que causam crescente número de regiões costeiras mortas. Além disso, “os valiosos serviços de arrecifes de coral e mangues costeiros foram postos em evidência pelo tsunami” que devastou as costas do oceano Índico no final do ano passado, acrescentou. “A maquinaria vivente da Terra tende a passar da mudança gradual para a catástrofe com pouco aviso”, alertaram os responsáveis pela Avaliação do Milênio.

De todo modo, a medição da biodiversidade não deve se concentrar no número de espécies, adverte o cientista Paul Herbert, Universidade de Guehph, no Canadá, que se prepara para identificar novas espécies, talvez milhares delas, através de uma nova técnica da qual é precursor, baseada no “código de barras do ADN (ácido desoxirribonucléico, suporte físico da informação genética)”. Esta técnica se baseia no exame de um gene comum a todas as espécies animais e permite uma rápida identificação das mesmas, como Herbert demonstrou por meio de trabalhos que aumentaram em 3% o número de espécies de aves, ao corrigir erros anteriores de classificação.

A comunidade científica espera que a aplicação desta técnica e de outras desenvolvidas nos últimos anos permita determinar no prazo de 10 anos se o número de espécies pluricelulares existentes está no nível da dezena ou da centena de milhões. Entretanto, o planeta está em um processo que Herbert chama de “mudança biótica global”, cujo impacto será maior do que a mudança climática, porque as extinções são irreversíveis e degradam os serviços de ecossistemas, destacou o especialista. “Devemos começar a pensar seriamente que tipo de qualidade de vida queremos ter neste planeta”, ressaltou.

* O autor é colaborador do Terramérica.




Copyright © 2007 Tierramérica. Todos los Derechos Reservados
 

 

Enlaces Externos

Avaliação de Ecossistemas do Milênio

Instituto de Recursos Mundiais

Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos