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BRASIL: Expedição Tara regressa da Antártida

RIO DE JANEIRO.- “Minha surpresa foi encontrar tantas embarcações, em média, uma a cada dois dias e, por fim, muitos turistas” na Antártida, disse ao Terramérica Celine Ferrier, capitã do veleiro Tara, que chegará ao Rio de Janeiro no início de abril, três meses depois de ter partido do porto chileno Williams

Além de admirar a “imensa beleza das paisagens” antártidas, e ver muitos pingüins, focas e baleias, a expedição enfrentou um clima “imprevisível, de ventos fortes que podem surgir de um minuto para outro”, e muito gelo à deriva que bloqueava a passagem, resumiu.

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, participante da expedição, disse estar impressionado pelo “volume e quantidade de geleiras”, as imensas montanhas e baías, e a rica fauna, em uma “atmosfera translúcida” que encurta enganosamente a visão das distâncias. Também se comoveu com os pingüins, por “sua capacidade de conviver e trabalhar sob risco”.

Salgado embarcou na expedição como parte de seu projeto Gêneses, apoiado pelas Nações Unidas, que prevê fotografar em oito anos áreas ainda em estado natural e vestígios de antigas civilizações.

 
 

COLÔMBIA: Novo parque natural

BOGOTÁ.- Setores ecologistas saudaram a declaração de parque nacional natural (Reserva ecológica) da selva de Florencia, considerada “o último reduto de biodiversidade” de sua região.

Na área há 6.300 hectares de floresta natural primária (que não foi desmatada nem reflorestada), floresta secundária (com apenas um reflorestamento), pastagens e cultivos.

Manuela Hernández, bióloga da estatal Universidade do Atlântico, disse ao Terramérica que é urgente conservar o lugar, que presta importantes serviços ambientais em matéria de estabilidade geológica, regulagem hídrica e qualidade das águas.

Segundo as autoridades, que anunciaram a declaração no dia 10 de março, 110 espécies de anfíbios e répteis consideram Florência como “uma área de extrema diversidade herpetológica, somente comparável com os parques de Santa Cecília (Equador) ou Iquitos, Pambopata e Alto Perus (no Peru), classificados como os mais ricos nestes animais”.

O sistema de parques naturais colombianos, com 42 áreas protegidas, soma 9% do território nacional.

 
 

MÉXICO: Reserva em perigo

MÉXICO.- A reserva ecológica Cuatrociénegas, no Estado de Coahuila, norte do México, corre risco de desaparecer, disse ao Terramérica a pesquisadora Valeria Souza, do Instituto de Ecologia da Universidade Nacional Autônoma do México.

Cuatrociénegas é um conjunto de aproximadamente 300 poças de água cristalina no deserto, ricas em microorganismos que formam estruturas calcáreas, entre elas, cianobactérias que produzem carbonato a partir de algas microscópicas.

Acredita-se que em épocas remotas esse tipo de ecossistema produziu oxigênio e mudou as condições para a vida na Terra. Seu estudo permite aos cientistas compreender por que se deu a biodiversidade, afirmou Valeria.

A deterioração ambiental em Cuatrociénegas, devido a superexploração de lagoas e uso de fertilizantes, causou o desaparecimento do antílope americano (antilocapra americana) e o lobo mexicano (canis lupus bvaileyi).

Nas lagoas, as espécies de peixes desaparecem sem que exista um registro científico delas, destacou a pesquisadora.

 
 

PERU: Companhias de mineração em julgamento

LIMA.- A promotora peruana Martha Salinas anunciou no dia 28 de março que concluiu uma investigação sobre infrações e delitos ambientais no setor mineiro, e que constatou suposta responsabilidade penal de 128 companhias, entre elas as duas mais importantes que operam no país: a mexicana Southern Peru e a norte-americana Doe Run.

Também serão processados os funcionários do Ministério de Energia e Minas que autorizaram a operação dessas empresas sem os programas de adequação e manejo ambiental adequados, ou que não verificaram o cumprimento dos mesmos, informou Salinas.

A mineração é o maior setor exportador do Peru, mas também é responsável por seus piores problemas ambientais em cerca de 700 zonas de risco, especialmente por produzir resíduos tóxicos e emitir gases contaminantes.

“As empresas que causaram prejuízo ambiental terão de ressarcir economicamente as comunidades afetadas”, assegurou ao Terramérica Luis Flores, presidente da comissão de Mineração do Congresso.

 
 

GUATEMALA: Grave perda de milho

GUATEMALA.- A seca prejudicou 24.500 hectares de cultivos de milho no departamento de El Petén, norte da Guatemala.

“Desde dezembro não chove nestes lugares. Plantei dois hectares de milho e talvez possa colher 15 quintais (sacas de 46 quilos), quando em outros anos colhia 40 quintais por hectare”, se queixou Luis Ordóñez, um dos afetados.

O camponês disse ao Terramérica, durante visita à capital no contexto de demandas de ajuda governamental, que os danos afetam mais de 30 mil agricultores de El Petén, cuja superfície de aproximadamente 20.750 quilômetros quadrados é maior que a de El Salvador.

As chuvas tendem a ser menores no norte e oeste do país desde 2001 e esse fenômeno destruiu plantações de feijão e milho dedicadas principalmente ao consumo próprio, aumentando os níveis de desnutrição e provocando a morte de dezenas de crianças.



* Fonte: Inter Press Service.


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