PNUMA PNUD
Destaques
Edição Impressa
MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO
English Version Versión en Español
Buscar Archivo de ejemplares  
 
  Home Page
  Reportagens
  Análise
  Destaques
  Ecobreves
  Galeria
  Gente de Terramérica
                Grandes
              Nomes
   Entrevistas
  ¿Quem somos?
  Inter Press Service
Principal fonte de informação sobre temas globais de segurança humana
  PNUD
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
  PNUMA
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente


Destaques


Bush lança nova ofensiva pelo petróleo no Ártico

Por Katherine Stapp*

A Casa Branca considera fato consumado a exploração de petróleo em uma prístina reserva do Alasca. As empresas petrolíferas mantêm cautela.

NOVA YORK.- Uma delegação de legisladores e funcionários norte-americanos percorreu, tiritando, a gelada tundra costeira do Alasca, para avaliar um projeto, incentivado por Washington, de extração de petróleo no prístino Refúgio Nacional de Vida Silvestre do Ártico. Entretanto, o grupo não contatou os mais firmes opositores locais à iniciativa. Cinco senadores, dois ministros e um funcionário da Casa Branca visitaram, no dia 5 de março, a Vertente Norte do Alasca e conseguiram se reunir com líderes de uma aldeia inupiat, mas não com a comunidade gwich’in de Vila Ártica. Os gwich’in são inflexíveis em sua rejeição à exploração do Refúgio, baseados, entre outras razões, no temor de que sejam afugentados os caribus (Rangifer tarandus), espécie de rena que habita a região, que caçam desde tempos ancestrais.

“Pedimos ao senador (Pete) Domenici que trouxesse a delegação à comunidade gwich’in, mas nunca nos respondeu. Senti que já haviam tomado uma decisão, e isso entristeceu meu coração”, disse ao Terramérica Luci Beach, diretora-executiva da Comissão Diretora Gwich’in. A Câmara de Representantes norte-americana aprovou vários projetos para autorizar a extração de petróleo no Refúgio, mas o Senado nunca os aceitou. Agora o governante Partido Republicano faz uma nova tentativa para autorizar as perfurações: incluir a previsão de renda por concessões para explorar o Refúgio em uma próxima resolução orçamentária, que requer maioria simples e não poderia ser obstruída pelo opositor Partido Democrata.

“O presidente George W. Bush pediu e tratamos de fazer o que pediu”, explicou aos jornalistas, sobre essa iniciativa, Judd Gregg, presidente da Comissão de Orçamento da Câmara de Representantes. A exploração petrolífera no Refúgio é uma parte central e pendente da política energética de Bush que, segundo os críticos, ignora a conservação e a sustentabilidade, para centrar-se quase exclusivamente no uso de combustíveis fósseis. Os Estados Unidos têm apenas 3% das reservas mundiais de petróleo, e consomem 25% da produção global. De acordo com o estatal Centro de Pesquisa Geológica norte-americano, a probabilidade de o Refúgio ártico possuir 5,7 bilhões de barris (de 159 litros) de petróleo é de 95%, e há 5% de probabilidade de possuir 16 bilhões de barris.

Entretanto, a planície costeira também é lar do caribu, do touro almiscarado (Ovibos moschatus), do urso polar (Thalarctos maritimujs) e de outras espécies árticas. “O caribu é um dom que nos foi dado e não o caçamos às pressas. É algo frágil, com o que não queremos fazer experiências”, afirmou Beach. Embora não estando em sua aldeia, Beach e outros ativistas conseguiram se reunir com a delegação por cerca de uma hora na cidade de Anchorage, no Alasca, antes de seu regresso a Washington, no dia 7 de março. “Nos deram respostas políticas, e não creio que realmente se preocupem com os direitos humanos dos gwich’in”, afirmou a dirigente indígena.

Michael Musante, porta-voz do Poder Ártico, o principal grupo de pressão pela atividade petrolífera no Alasca e integrante da delegação, disse ao Terramérica que os inupiat com os quais se reuniu caçam na mesma região que os gwich’in e “sentem que o projeto (de explorar petróleo no Refúgio) é absolutamente necessário” para melhorar suas vidas. Argumentou ainda que “a infra-estrutura de extração ocuparia entre 2,4 e 3,2 hectares” dos 607 mil que o Refúgio possui. Várias das grandes empresas petrolíferas, incluindo a BP, ConocoPhilips e ChevronTexaco, já se retiraram do Poder Ártico e uma fonte do Poder Executivo assegurou que essas empresas não iriam ao Refúgio, “apesar de o governo ter dado concessões a elas”, segundo informou o jornal The New York Times).

Há dois anos, o Alasca ofereceu concessões para exploração de petróleo em uma faixa da plataforma continental de aproximadamente cinco quilômetros em frente ao Refúgio, e não houve interessados. Entretanto, para Ed Porter, gerente de pesquisas do American Petroleum Institute, há incentivos suficientes para investir no Refúgio. “Me surpreenderia se a maioria das empresas não se apresentasse para uma licitação, pois (o Refúgio) é o maior território potencialmente explorável na América do Norte. O preço do barril de petróleo está acima dos US$ 50, e duvido que isso diminua o interesse”, disse Porter ao Terramérica. Além disso, nos últimos 30 anos, houve avanços na tecnologia de extração, com a perfuração horizontal, que permite explorar várias jazidas com uma única boca de saída primária, e isso reduz de forma significativa o impacto ecológico, acrescentou.

Musante reconheceu que a ExxonMobil é a única multinacional que permanece no Poder Ártico, mas alegou que as empresas não podem tomar decisões “até que o Congresso atue”, o que espera que ocorra “logo". Russ Roberts, porta-voz da ExxonMobil, admitiu em conversa com o Terramérica que “a informação crítica, como a sísmica, é quase inexistente, e isso dificulta elaborar interpretações e previsões significativas” sobre o projeto. A empresa acredita que o Refúgio pode ser explorado “com escasso risco para a ecologia da planície costeira”, em parte pelo uso de técnicas de mapeamento tridimensional que permitem aos engenheiros localizar as jazidas, mesmo quando os dados geológicos são muito complexos, afirmou.

O orçamento para 2006 do Executivo norte-americano considera como fato consumado a aprovação da exploração de gás natural e petróleo no Refúgio, e assume que o país receberá por isso US$ 2,4 bilhões. Um cálculo questionado por Lydia Weiss, especialista em relações com o governo da organização Defensores da Natureza. Para conseguir essa soma, “o Refúgio deveria ser arrendado a preços de US$ 10 mil a US$ 15 mil por hectare, e o preço médio na Vertente Norte nos últimos 20 anos é de aproximadamente US$ 123 por hectare”, acrescentou Weiss. Esperamos que “os presidentes das comissões orçamentárias do Congresso não se envolvam em ardis para aprovar uma idéia tão controvertida, à qual se opõe a maioria dos norte-americanos”, ressaltou a especialista. Contudo, se essa exploração for aprovada, “a comunidade ambientalista lutará contra cada passo do processo”, afirmou.


* A autora é editora da IPS para a América do Norte e o Caribe.




Copyright © 2007 Tierramérica. Todos os Direitos Reservados



Links Externos

Defensores da Natureza

Comissão Diretora Gwich'in

American Petroleum Institute

Terramérica não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.