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Primeira exposição ambiental do milênio

Por Suvendrini Kakuchi*

A “Sabedoria da Natureza” será celebrada por 122 países que vão ao Japão para mostrar como o meio ambiente e o desenvolvimento humano são vistos es suas regiões.

TÓQUIO.- Com atrações que vão desde robôs humanóides até restos de mamute, a Exposição Internacional de Aichi, a primeira do milênio, começará no dia 25 de março no Japão com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico em harmonia com a natureza, segundo os organizadores. Com o título “A sabedoria da natureza”, a mostra reunirá em várias cidades da província de Aichi expositores de 122 países e territórios, agrupados por região em seis “comunidades globais”. Representantes do setor privado, da Organização das Nações Unidas e cerca de 200 ONGs também participarão do encontro, que irá até 25 de setembro.

“A exposição marca o início de um novo movimento, porque trabalhamos em estreita colaboração com grupos de cidadãos para promover a mensagem de desenvolvimento econômico em harmonia com a natureza. A humanidade chegou a um ponto de inflexão”, afirmou Toshio Nakamura, secretário-geral da Associação Japonesa pela Exposição Internacional 2005. A mostra busca enfatizar a importância do desenvolvimento sustentável em detrimento do consumo em massa, apontado como culpado pela destruição do meio ambiente e causador de graves problemas como o aquecimento do planeta e a desertificação. Cada expositor apresentará sua visão sobre os assuntos ambientais.

O pavilhão da China, por exemplo, representará a harmonia entre a natureza e as cidades, com recursos tecnológicos que incluem uma sala de projeção de vídeo com assentos em forma de folha de loto, na qual serão mostrados tradicionais trabalhos de caligrafia e pintura sobre uma tela circular de plasma. A Rússia apresentará um modelo em tamanho natural da astronave de diversão que pretende colocar em funcionamento dentro de poucos anos, e nela será possível experimentar uma simulação de viagem espacial. Vinte e nove países da África dividirão um grande pavilhão. Os visitantes poderão fazer o trajeto “Odisséia africana”, que evoca o nascimento da humanidade nesse continente.

A América Central também apresentará um pavilhão conjunto, enquanto o México terá a maior área entre os países da América Latina, com quase mil metros quadrados. Intitulado “Entrelaçando a diversidade”, o pavilhão mexicano mostrará a importância de ecossistemas como os recifes do Caribe mexicano, a cultura indígena e a situação de espécies ameaçadas, como a tartaruga marinha e a baleia cinza. Porém o Japão terá o maior pavilhão de toda amostra, na vila de Nagakute e na forma de um gigantesco casulo. Nesse local serão expostos procedimentos experimentais de conservação de energia, incluindo o uso de telhas fotovoltaicas, difusores de água e uma cúpula de bambu para dispensar o uso de ar-condicionado no verão.

Entre as atrações especiais da mostra japonesa estarão 63 protótipos de robôs, vários deles humanóides e idealizados para cuidar de crianças ou idosos, os quais são uma proporção crescente da população do Japão. Junto com esses prodígios tecnológicos, o país anfitrião exporá restos perfeitamente conservados de um mamute encontrados nos gelos da região russa da Sibéria. Mas segundo os organizadores, além de servir de vitrine para a avançada tecnologia do Japão, a exposição pretende enfatizar o compromisso do país com o meio ambiente mundial. “É um ponto de referência para o Japão, porque leva a mensagem de que o país pode desempenhar um papel central na resolução dos problemas ambientais do planeta”, disse ao Terramérica Ayumi Okamoto, responsável pela organização da mostra.

Um quarto da área da exposição será formada por florestas e lagos, e serão usados meios de locomoção amigáveis com o meio ambiente, como o Sistema Multimodal Inteligente de Trânsito, que inclui ônibus com emissões pouco poluentes e veículos que utilizam gás natural comprimido, além de um moderno funicular. A mensagem de convivência harmônica com a natureza também será transmitida através de sistemas energéticos que reciclam recursos ou empregam fontes naturais alternativas. Espera-se mais de 15 milhões de visitantes, entre eles personalidades como os presidentes da Rússia e França, Vladimir Putin e Jacques Chirac; e Cedza Dlamini, neto do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e porta-voz da juventude para as Metas de Desenvolvimento do Milênio da ONU.

Entretanto, a preparação da mostra não esteve livre de conflitos. Os organizadores tiveram de reduzir as proporções previstas da exposição por causa de protestos de ativistas, em 2000, contra a destruição de floresta que implicava o plano original. Os descontentes afirmavam que o projeto colocava em grande risco a espécie ameaçada local do açor (accipiter gentilis). Moradores da área onde foi construído o funicular também se queixaram de danos ao meio ambiente e perda de privacidade. Porém, Nakamura argumentou que essa obra passou por mais de 200 avaliações governamentais de impacto ambiental.

* O autor é correspondente da IPS.




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Exposição de Aichi

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