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Festa para o mar do Caibarién

Por Patricia Grogg*

Meninos e meninas recuperam uma baía ao norte de Cuba. Em maio comemorarão a bondade do oceano.

Santa Clara, CUBA.- A baía de Caibarién, norte de Cuba, até há pouco tempo assemelhava-se a um grande lixão repleto de desperdícios flutuantes. Agora, um belo passeio margeia a costa e as águas estão limpas graças aos próprios moradores que antes foram responsáveis pela contaminação. “O mar dava no quintal das casas e se considerava normal jogar todo tipo de lixo na água, em lugar de usar os caminhões de coleta”, disse ao Terramérica Aleida Duque, especialista em educação ambiental da Estação de Monitoramento Costeiro em Caibarién, uma cidade costeira da província de Villa Clara. O malecón, como são chamadas em Cuba as avenidas costeiras, acabou de ser construído há três anos, mas não conseguiu deixar para trás a insalubre tradição de se desfazer do lixo nas águas próximas. Então, um grupo de meninos e meninas pegou o caso em suas mãos, bateram em milhares de portas e convenceram os moradores de que o saneamento da baía era um assunto de todos.

O projeto “Caimale (Caibarién-malecón) por uma adequada conduta ambiental” surgiu com 12 crianças convocadas por María Inês Dominguez, diretora do governamental entro de Documentação e Informação Pedagógica (CDIP) desta cidade, de aproximadamente 40 mil habitantes. “Começamos com a operação ‘tum-tum’ de porta em porta. No início houve resistência. Nos diziam que sempre jogaram o lixo no mar e que isso não era motivo da morte dos peixes. Pouco a pouco, as famílias foram se convencendo”, afirmou Dominguez. Junto à comunidade, as crianças decidiram - entre outras ações que incluem danças, canções e oficinas de pintura e literatura – realizar jornadas de limpeza e uma festa do mar a cada dia 21 de maio. “O mar é nossa fonte de vida, temos de protegê-lo”, disse Jennifer Martinez, de 14 anos. Na primeira coleta de lixo um caminhão ficou completamente lotado. Um ano depois, o lixo recolhido ocupou apenas a metade desse espaço.

Porém, o lixo doméstico não é a única fonte de contaminação da baía Buena Vista, que sofre o impacto da insuficiência de esgoto de Caibarién e os prejudiciais dejetos de um engenho de açúcar da vizinha cidade de Remédios, para dizer apenas os piores. Os resíduos do engenho, onde também se fabrica álcool, chegam até o mar através do rio Guaní, que quando tem pouca água chega a se autodepurar. “O oxigênio dissolvido se esgota, causando a morte dos peixes”, explicou Joan Hernández, chefe da Estação de Monitoramento Costeiro, entidade ligada ao governamental Centro de Estudos e Serviços Ambientais (Cesam), de Villa Clara. O problema foi resolvido em parte com uma usina de biogás que consome 70% dos dejetos, mas o impacto causado pelos 30% restantes ainda é alto.

Agora, a época de safra coincide com a seca que mantém baixo o nível das águas do rio. Isto faz com que o lixo se acumule e, na primeira chuva forte, cheguem de uma vez no mar. No entanto, a renovação tecnológica do maior dos curtumes da cidade permitiu eliminar os produtos químicos no tratamento de peles e reduziu consideravelmente a afluência de resíduos altamente nocivos para o habitat marinho. “O governo municipal tem alternativas para solucionar esta situação ambiental, mas são complexas e caras”, disse Ernesto Nieto, coordenador no Cesam do projeto de desenvolvimento do arquipélago Sabana-Camaguey.

Este vasto plano é aplicado desde 1995 com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em toda essa região da parte norte e centro de Cuba, que vai desde Matanzas até Camaguey, de 100 a 533 quilômetros de Havana. A educação da comunidade no uso responsável e comprometido do território e de seus recursos para a conservação da natureza figura entre os objetivos do programa, no qual estão envolvidas numerosas instituições do país. Caibarién vive fundamentalmente da pesca, produção agropecuária e uma pequena indústria, a qual nos últimos anos somou-se ao turismo, a partir do fomento das ilhotas situadas no nordeste da cidade.


* A autora é correspondente da IPS.


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