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Uma megatrilha para o ecoturismo |
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Por Gustavo González*
O Chile constrói uma trilha de oito mil quilômetros para caminhadas, excursões e projetos ambientais. Estará pronta em 2010.
SANTIAGO.- Doze projetos ambientais promoverão o ecoturismo na Trilha do Chile que, com oito mil quilômetros, será uma das maiores do mundo para caminhadas e excursões de bicicleta e a cavalo. Começa em Visviri, no vértice da fronteira com Peru e Bolívia, e segue até o Cabo Horns, extremo sul da América e cruzará 40 bacias hidrográficas. Três mil quilômetros de seu traçado passarão por regiões de pradaria e matagais, outros 400 mil por florestas e 200 mil por áreas carentes de vegetação, em desertos, vales de lava vulcânica ou estepes da Patagônia. A trilha inclusive chegará à distante Ilha de Páscoa, onde conta com um trecho de oito quilômetros. Está previsto que fique pronta em 2010, quando se comemorará o segundo centenário da independência do país, mas já estão disponíveis alguns trechos e os primeiros projetos ambientais são iniciados.
No dia 7 de abril foi inaugurada em Requinoa, cerca de 100 quilômetros ao sul de Santiago, a primeira de 12 iniciativas sustentáveis para a trilha, promovidos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e pela Comissão Nacional do Meio Ambiente (Conama). O projeto, denominado “No caminho do ecoturismo e da sustentabilidade”, é “uma grande contribuição, já que financiará atividades que darão maior valor à Trilha do Chile, proporcionarão renda para suas comunidades e protegerá o meio ambiente”, destacou Irene Philippi, representante do Chile no Pnud. No final de 2004, a Conama e o Pnud assinaram um convênio para financiar os 12 projetos, com investimento total de US$ 310 mil.
Essas duas instituições colocam no projeto US$ 190 mil, com recursos procedentes do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF) e seu Programa de Pequenos Subsídios. Os outros US$ 120 mil são contribuição dos organismos executores dos projetos e entidades associadas a eles, majoritariamente comunitárias e da sociedade civil. No contexto do apoio à construção dessa trilha também houve um concurso para financiar em todo o país projetos de até US$ 15,5 mi com contribuições do Pnud e da Conama, sem prejuízo dos recursos adicionais obtidos pelas próprias organizações locais. Segundo Paulina Saball, diretora da Conama, o convênio com o Pnud permite cooperar em assuntos ambientais relevantes para o Chile, dentro da agenda governamental na matéria, que busca favorecer “a contribuição de organizações comunitárias, públicas e privadas na educação ambiental”.
A entidade executora do projeto em Requinoa é a Associação de Guias e Escoteiros de Rancagua, capital da Sexta Região. A iniciativa inclui capacitação de guias para ecoturismo, tanto do escotismo quanto de 10 colégios, além da construção de um refúgio, cinco painéis educativos, dois sítios para acampar e dois caminhos interpretativos adicionais sobre flora e fauna locais. Também serão editados três mil manuais e será feito um vídeo educativo, como parte das tarefas para atrair visitantes, que incluirão cooperação com agências de turismo e comunidades locais. “O escotismo desde suas origens se inspira no conhecimento da natureza e na proteção dela. A iniciativa de criar a Trilha do Chile deve ser complementada com projetos como o de Requinoa, de educação e sustentabilidade ambiental”, disse ao Terramérica Paola Campos, guia de um grupo de escoteiros de Santiago.
Um dos projetos da Trilha do Chile que serão favorecidos com pequenos subsídios é o de um desenvolvimento turístico em Colchane, na fronteira do altiplano com a Bolívia e cerca de dois mil quilômetros ao norte de Santiago, a cargo da Associação Indígena Aymara Suny Marka. Também será financiado um projeto da comunidade Atacameña de San Francisco de Chiu-Chiu, que fomenta o turismo rural em Inca-Coya, na desértica Segunda Região, aproximadamente 1.400 quilômetros ao norte da capital e que, como o anterior, a previsão é de que esteja pronto em 2006. A Junta de Vizinhos da pequena localidade rural de San Félix, na Terceira Região, 800 quilômetros ao norte de Santiago, também construirá caminhos locais à Trilha do Chile dentro de um projeto próprio denominado Rota turística Los Espanholes.
* O autor é correspondente da IPS.
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