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Indústria de camarões arrasa mangues

Por Diego Cevallos*

Equador e Honduras registram os casos mais graves de perda de floresta costeira, alerta o Pnuma, a propósito do Dia Mundial do Meio Ambiente.

MÉXICO.- O número de criadouros de camarões em Honduras, Equador e México se multiplica para o lucro de seus proprietários, mas também aumenta a destruição de mangues e florestas costeiras protetoras, que têm influência na vida de 70% dos peixes e crustáceos de interesse comercial. Nos últimos 12 anos, os tanques onde são criados os camarões, grande parte deles localizados em locais que antes eram mangues, cresceram vertiginosamente até causar “significativos problemas ambientais”, informou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Essa agência divulgou, a propósito do Dia Mundial do Meio Ambiente, que se comemora neste domingo, o documento “Um só planeta e muita gente: Atlas de nosso mutante meio ambiente”, feito com base em fotos feitas por satélite.

Nas imagens, salta à vista que, no caso da América Latina, as fazendas de camarão de Equador e Honduras arrasaram o mangue. No primeiro caso no golfo de Guayaquil e, no segundo, no Golfo de Fonseca, no Oceano Pacífico, compartilhado por Honduras, Nicarágua e El Salvador. “Os criadouros de camarões e os tanques se multiplicaram, tapando a paisagem e ocupando, como criadouros, os mangues, que são defesas costeiras naturais e viveiros para peixes livres”, afirma o documento. O México não aparece nas imagens, que atrás de Equador e Honduras, é o mais importante produtor de camarão “cultivado” no continente americano, mas a destruição de sua área de mangue também é grave, segundo ambientalistas. Em Honduras, a superfície ocupada pelos criadouros passou de 1.450 hectares em 1986 para 10.500 hectares atuais.

Segundo o Banco Central hondurenho, a exportação de camarão cultivado significou a entrada no país de US$ 154 milhões em 2004. essa atividade gera 24.750 empregos, informou ao Terramérica Alberto Zelaya, membro da Associação Nacional de Aqüicultores. Mas sua expansão também causou um grave impacto social e ecológicos em Honduras, disse ao Terramérica Saul Montufar, porta-voz do não-governamental Comitê para a Defesa de o Desenvolvimento da Flora e Fauna do Golfo de Fonseca. “No campo social houve marginalização e desalojo de famílias de pescadores nas zonas de cultivo, perda de acessos a locais tradicionais de pesca e uma queda na exploração pesqueira”, ressaltou.

Em matéria ambiental, houve “um abuso na introdução de milhares de toneladas de nutrientes (para alimentar os camarões cultivados) que incidiram na perda de qualidade das águas e destruição de amplas zonas de mangue”, explicou Montufar. Problemas semelhantes se registraram no Equador, onde a superfície de mangue original de 363 mil hectares caiu para 108 mil em 2000, informou ao Terramérica Marianeli Torres, coordenadora local da Rede Mangue Internacional. Os ativistas equatorianos, hondurenhos e mexicanos afirmam que as regulamentações ambientais de seus países para os produtores de camarões são insuficientes, sendo violadas ou simplesmente ignoradas. Os mexicanos, por exemplo, temem que a destruição do mangue avance rapidamente nos próximos anos por insuficiências legais.

Eles denunciam que a lei que originalmente protegia rigidamente esses ecossistemas foi modificada em 2004 pelo governo do presidente Vicente Fox para permitir o corte de mangues em troca de compensações econômicas. O governo mudou a regra sem as consultas prévias estabelecidas pela própria lei, “com o único objetivo de beneficiar projetos como ampliação de portos, turismo e aqüicultura”, disse ao Terramérica Héctor Magallón, coordenador da campanha de Florestas do grupo ambientalista internacional Greenpeace. No México, os mangues ocupam atualmente 886.760 hectares, ou 60.389 hectares a menos do que em 1993, enquanto a produção de camarão em criadouro aumentou de 30 mil toneladas em 2000 para 60 mil no ano passado.

Porém, o problema não é exclusivo de países latino-americanos. A superfície de mangues no mundo diminuiu em 35% nas últimas décadas, para chegar a cerca de 17 milhões de hectares. A destruição avança à taxa anual de 2,1%, ritmo superior ao 0,8% com que desaparecem as florestas tropicais, de acordo com estudos feitos pelo Greenpeace. As principais causas do desaparecimento deste ecossistema são, em ordem decrescente, aqüicultura e construção de fazendas de camarão, desmatamento, alterações e obstrução do fluxo de água, mudança no uso do solo e contaminação por herbicidas. Os mangues, atualmente convertidos em um dos ecossistemas mais ameaçados no mundo, fornecem numerosos benefícios.

Setenta por cento dos peixes capturados no mar nasceram ou se reproduziram em mangues, ou dependeu deles de alguma maneira, indicam estudos feitos no México, segundo os quais, para cada hectare de mangue destruído calcula-se uma perda anual de 757 quilos de peixes de importância comerciais. Os mangues suprem de umidade a atmosfera, e ao fazê-lo se convertem em fonte de esfriamento natural para as comunidades próximas. Além disso, protegem a costa de inundações e dos efeitos destrutivos das marés e do vento de furacões e tempestades.

* O autor é correspondente da IPS. Com colaborações de Juan Carlos Frias (Equador) e Thelma Mejía (Honduras).




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Links Externos

Comitê para a Defesa de o Desenvolvimento da Flora e Fauna do Golfo de Fonseca

Rede Mangue Internacional

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