PNUMA PNUD
Entrevistas
Edição Impressa
MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO
English Version Versión en Español
Buscar Archivo de ejemplares  
 
  Home Page
  Reportagens
  Análise
  Destaques
  Ecobreves
  Galeria
  Gente de Terramérica
                Grandes
              Nomes
   Entrevistas
  ¿Quem somos?
  Inter Press Service
Principal fonte de informação sobre temas globais de segurança humana
  PNUD
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
  PNUMA
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente


Entrevistas


Os dias de glória não terminaram

Por Maria Amparo Lasso*

Apesar do desgaste, o protesto pacífico continuará sendo o motor do Greenpeace, disse ao Terramérica Gerd Leipold, diretor-executivo do grupo ambiental. América Latina e Ásia estão em sua mira.

MÉXICO.- Quando o alemão Gerd Leipold assumiu a direção executiva do Greenpeace, em 2001, alguns arquearam as sobrancelhas. Seria o tipo de líder ideal para o grupo ambiental mais conhecido do planeta, que precisava de fundos, novos mercados e de uma imagem renovada? A suspeita não era infundada. Leipold substituía Thilo Bode, um economista com experiência nas áreas bancária e industrial, que inclusive propôs licenciar o nome Greenpeace. Aos 54 anos, Leipold é, mais que um administrador, um experiente ativista ambiental. Em sua ação mais espetacular, cruzou em um balão o Muro de Berlim em plena Guerra Fria para protestar contra a proliferação nuclear.

Sua liderança prometia retornar aos legendários inícios do Greenpeace nos anos 70. Quem não se sente inspirado ao ver os botes infláveis do grupo barrarem a passagem de navios baleeiros ou nucleares?

Entretanto, muitos críticos consideram o ativismo radical como o calcanhar de Aquiles da organização e a causa da queda no número de membros, que em seus dias de glória chegava a quase cinco milhões de pessoas. Leipold conversou com o Terramérica por telefone desde a Grécia.

Terramérica - Ao assumir o cargo, alguns críticos diziam que o senhor daria prioridade ás ações de protesto, mais do que ao gerenciamento do grupo. Isso aconteceu?

Leipold - Creio que temos o equilíbrio correto. A resistência civil pacífica é e continuará sendo o motor do Greenpeace, e estamos muito orgulhosos por isso. Mas para mim, é chave não só que participem os ativistas desta organização, mas o público em geral. Por essa razão demos ênfase no ativismo cibernético (via Internet). O meio ambiente não é uma questão de especialistas, mas de todos.

- O Greenpeace está revisando suas atuais políticas. Sente que o público está cansado de suas ações de protesto?

- As reações variam de país para país e de continente para continente. Na Europa, por exemplo, os problemas ambientais não são tão visíveis como costumavam ser. Quem olhava para os rios europeus há 30 anos via que a contaminação era evidente, e uma ação de resistência contra isso obviamente era muito visível. Mas na América Latina e Ásia, onde o Greenpeace está há pouco tempo, nossas ações são uma grande novidade, de sucesso.

- Estas duas regiões são prioridade em sua estratégia de expansão?

- Absolutamente, e não só porque os problemas ambientais nessas duas regiões são tão expressivos, mas porque seu desenvolvimento econômico é muito forte. Se alguém quer causar impacto, é aí que deve trabalhar.

- Por que os Estados Unidos têm sido um mercado tão esquivo para o Greenpeace?

- Temos muito menos membros nos Estados Unidos agora. Uma das razões é que em 1991 nos opusemos à Primeira Guerra do Golfo, e isso nos fez perder muita simpatia nesse país. Mas fazemos campanha pelo que acreditamos, mesmo se isso causa uma reação negativa do público.

- Em 1991 o número de membros do Greenpeace chegou ao seu ponto mais alto, com 4,8 milhões de militantes. Hoje tem 2,8 milhões. O que aconteceu?

- Não tenho em mãos os dados de 1991, mas devo dizer que nossas estatísticas nessa época não eram tão boas e rígidas como agora. Nos anos 90 ainda contávamos como membros do Greenpeace aqueles que faziam apenas uma doação. Atualmente, só reconhecemos os doadores permanentes (pelo menos por 18 meses). Crescemos durante os últimos cinco anos, sobretudo na América Latina e Ásia (69.074 e 41.522, respectivamente).

- Os dias de glória do Greenpeace terminaram?

- Não, certamente que não. E se olho o estado do planeta, definitivamente estamos fadados a sermos uma organização boa e forte.

- Qual seu orçamento atual?

- Ainda não terminou nossa auditoria, mas estava em torno dos US$ 165 milhões de euros (US$ 201,3 milhões) em 2004. É mais baixo do que o de 2003, mas se deve considerar as flutuações na taxa de câmbio.

- Seu antecessor, Thilo Bode, pensava que eram urgentes novas formas de arrecadação de fundos, que a coleta de porta em porta era insuficiente. O senhor impulsiona novas estratégias?

- Nós temos diversificado. A arrecadação de fundos através da Internet tem um papel mais importante, também temos algo com publicidade, mas a coleta de porta em porta, que chamamos de diálogo direto (falar com as pessoas em locais públicos) ainda é nossa principal ferramenta.

- Outra das propostas de Bode era licenciar a marca Greenpeace.

- Não somos a Starbucks, não acreditamos que pudéssemos licenciar nosso nome como eles fazem. Nossa marca é valorizada porque não está ligada ao dinheiro, por nossa independência e porque somos fiéis aos nossos valores. Se transformarmos nosso nome em um ativo monetário, certamente estaríamos ferindo esses princípios.

- Por muitos anos o Greenpeace foi criticado por seu extremismo e superficialidade, por sua falta de suporte científico em suas campanhas. Como responde a isso?

- Há 15 anos temos uma unidade de ciência que opera na Universidade de Exeter (Grã-Bretanha), que produz investigação original. Nossas contribuições para as Nações Unidas, por exemplo, são muito apreciadas. Nos últimos dias, uma destacada professora japonesa me dizia como foi valiosa para seu trabalho nossa pesquisa sobre proliferação nuclear. Como este, posso citar muitos outros exemplos.


* A autora é diretora editorial do Terramérica.




Copyright © 2007 Tierramérica. Todos os Direitos Reservados

 

Links Externos

Coiab

Terramérica não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.