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El Cobre busca salvar seu entorno

Por Patrícia Grogg*

Especialistas reabilitam o ecossistema prejudicado por uma mina que funcionou em Cuba durante quase cinco séculos.

SANTIAGO DE CUBA.- Os responsáveis pela mais antiga mina de cobre da América Latina, localizada no leste de Cuba, pretendem que seja reconhecida como patrimônio nacional e da humanidade, depois que fechou suas portas em 2001. Esse objetivo é fundamental para os planos de reabilitar o ecossistema prejudicado pela indústria de mineraçåo, preparados por especialistas da empresa estatal Geominera do Oriente, e reanimar o povoado de El Cobre, surgido com a exploração das jazidas descobertas em 1530. Os danos ambientais estão á vista e o trabalho de resgate exige paciência e um bom orçamento. “Estes eram solos agrícolas, com muitos pomares, mas tudo isso se perdeu. A zona sofreu uma degradação e a mudança do entorno foi total”, disse ao Terramérica a engenheira Alina Yasell.

A mina fica em um cerro, a 12 quilômetros de Santiago de Cuba, capital da província de mesmo nome. Sua melhor época foi a primeira metade do século XIX, com produção de 67 mil toneladas. Uma escassa produção e baixos preços do metal no mercado mundial determinaram seu fechamento. “O que procuravam seus descobridores era ouro, e inclusive foi enviada à Espanha uma mostra de Calcopirita, um dos sulfuros minerais dos quais se obtém o cobre, acreditando que se tratava do metal precioso”, conta o geólogo Miguel Ruiz. Índios e negros trazidos da África foram utilizados sem piedade na exploração da mina, e no século XVIII isso desembocou na primeira grande revolta de escravos em Cuba. Uma grande escultura, no alto de uma colina, recorda esse fato.

O monumento a essa rebeldia dos “cimarrones”, como eram chamados os que se instalavam nas montanhas para fugir da escravidão, se levanta no que restou do antigo Cerro do Cardenillo, atual encosta de Los Chivos, cujas entranhas foram reviradas por quase cinco séculos de exploração. “Queremos conservar para as futuras gerações todo este legado histórico da mina, e uma das galerias será transformada em museu”, diz Yasell, especialista-chefe do programa de reabilitação, cuja envergadura forçou a sua divisão em vários projetos.

O plano inclui a restauração do que foi o canteiro, em cujas beiradas já começou, timidamente, a nascer alguma vegetação silvestre. Nesta área se trabalha para evitar deslizamentos de terra e reconstruir taludes e bermas. O canteiro originou uma enorme cratera, agora convertida em um grande lago, cujas águas são estudadas devido ao seu alto conteúdo de minerais, especialmente súlfuros que “têm propriedades medicinais, mas isso deve ser avaliado pelo Ministério da Saúde”, afirmou Yasell. O sonho de especialistas e autoridades de El Cobre é transformar a área em um centro recreativo com hospedagem para visitantes, incluindo peregrinos que visitam o santuário da Virgem da Caridade do Cobre.

Outros projetos visam a exploração de resíduos que resultaram da obtenção de concentrado de cobre, que guardam ouro e prata, entre outros elementos. Também se busca conservar a torre do poço da mina e restaurar a sua entrada. Em cada área do projeto, haverá um viveiro para reflorestar o entorno de aproximadamente 40 hectares, cujos solos requerem tecnologias que lhe devolvam fertilidade. “Tudo se fará com mão-de-obra local, pois se trata de vincular a população a estes projetos”, diz Ernesto Steven, presidente do Conselho Popular da localidade, que calcula que o programa requer US$ 1,2 milhão. El Cobre tem atualmente cerca de 17 mil habitantes, e 45% deles têm alguma relação, direta ou indireta, com a mina, que contava com 325 trabalhadores quando foi fechada.

Oitenta e cinco por cento permanecem na empresa, agora chamada Unidade de Serviços Mineiros. Do restante, alguns foram recolocados em outros setores de trabalho, e outros realizam cursos de capacitação profissional ou se aposentaram. Ninguém foi pego de surpresa, embora nem todos aprovem essa decisão. ‘Recebi muito mal a notícia. Desde os 17 anos trabalhei ali. Creio que a mina ainda poderia agüentar, foram apressados em fechá-la”, disse Jesús Calzado Falcón, que afirma que, apesar de seus 63 anos, voltaria a trabalhar na mina. O homem considera que o fechamento “foi terrível” e “um golpe muito grande”, já que “tudo o que havia para se resolver era resolvido ali. Se havia uma soldagem para ser feita, por exemplo, alguém ia até a mina. Ou se faltava algum transporte, o pessoal comia na mina”.


* A autora é correspondente da IPS.




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