PNUMA PNUD
Destaques
Edição Impressa
MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO
English Version Versión en Español
Buscar Archivo de ejemplares  
 
  Home Page
  Reportagens
  Análise
  Destaques
  Ecobreves
  Galeria
  Gente de Terramérica
                Grandes
              Nomes
   Entrevistas
  ¿Quem somos?
  Inter Press Service
Principal fonte de informação sobre temas globais de segurança humana
  PNUD
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
  PNUMA
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente


Destaques


A rica erva dos guaranis

Por Alejandro Sciscioli*

Pequenos agricultores do Paraguai exploram uma doce erva usada pela etnia tupi-guarani. Esperam semear cinco mil hectares em 2007.

ASSUNÇÃO.- A crescente exploração comercial, no Paraguai, da ka’a he’ê (erva rica, em guarani), ancestralmente usada por indígenas como remédio e adoçante, se apresenta como uma rentável alternativa para que pequenos agricultores consigam renda todo o ano. Esta erva, cultivada pela etnia tupi-guarani, tem o nome científico de Stevia rebauidiana Bertoni, já que foi classificada pela primeira vez, em 1899, pelo sábio suíço Moisés Bertoni, e sua primeira análise química foi feita em 1905, pelo paraguaio Ovídio Rebaudi. O esteviosídeo, princípio ativo da ka’a he’ê, é entre 250 a 300 vezes mais doce do que o açúcar de cana e é um adoçante não calórico, apto para ser consumido por diabéticos porque o corpo humano não o metaboliza como glicose.
Este ano, o Comitê Misto de Especialistas em Aditivos Alimentícios (Jecfa, sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), junto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que realiza determinações de inocuidade, incluiu a estévia em uma lista temporária como passo prévio para a definitiva passagem ao seu Codex Alimentarius. O Codex é uma compilação de acordos internacionais sobre normas alimentares mínimas e questões conexas, para proteger a saúde do consumidor, assegurar a qualidade e facilitar o intercâmbio comercial de alimentos em alto nível. O Jecfa já admitiu a ingestão de até dois miligramas diários da ka’a he’ê, “e isso é muito”, disse ao Terramérica Juan Carlos Fischer, presidente da Câmara Paraguaia da Estévia.
Nesse momento, houve “uma explosão” da demanda internacional por essa erva, e atualmente os pedidos “excedem em muito a produção de matéria-prima”, destacou. Embora seja originária do Paraguai, a estévia também é produzida na Ásia, desde que, há 35 anos, empresários japoneses interessados na planta observaram seu cultivo e o imitaram, primeiro em seu país e, depois, na China. Hoje, as maiores áreas semeadas, e quase todas as unidades industriais, estão na região Ásia-Pacífico. A China mantém, segundo as temporadas, de 15 mil a 25 mil hectares semeados.
O Paraguai iniciou seu atual programa produtivo em 1997, com 21 hectares semeados. Atualmente, dedica a essa atividade 800 hectares e os empresários esperam chegar a cinco mil em 2007. A única indústria de cristalização da estévia no ocidente está na cidade brasileira de Maringá, no Estado do Paraná, para onde é enviada integralmente a produção paraguaia. A indústria oriental da estévia movimenta anualmente cerca de US$ 250 milhões. Em 2004, o Paraguai conseguiu vendas no valor de US$ 500 mil, e a expectativa é multiplicar por seis as operações nos próximos dois anos.
Prevê-se que, no fim deste ano, investimentos paraguaios habilitarão, nos arredores de Assunção, uma indústria processadora, que demandará investimento de até US$ 4 milhões, explicou ao Terramérica a jornalista Noelia Riquelme, especializada em temas agrícolas. Riquelme disse que os maiores mercados consumidores de esteviosídeo são, fora a Ásia, Estados Unidos, Alemanha, México, Colômbia, Brasil e Argentina. Com a inclusão do adoçante no Codex Alimentarius, se abrirão as portas da maioria dos países da União Européia, que já demonstraram interesse, afirmou a jornalista.
Enquanto o negócio ganha velocidade, um benefício cresce junto, devido à alta renda que o produtor pode conseguir e à grande quantidade de mão-de-obra necessária para cuidar dos cultivos. Fischer explicou que sua Câmara sugere plantar de 50 mil a 60 mil mudas para cada meio hectare. Esse espaço dá emprego permanente a quatro pessoas para controle de pragas, que deve ser realizado à mão, pois não são usados agroquímicos nem inseticidas. O pequeno produtor pode ter, por ano, um retorno econômico de até US$ 1,6 mil para cada meio hectare semeado, “um rendimento seis vezes maior do que o da soja (Glycine Max) e três vezes maior do que da mandioca" (Manihot esculenta), também chamada yuca ou casava, ressaltou.
Para 2007, os empresários do setor calculam que estarão trabalhando nos programas produtivos cerca de 15 mil famílias camponesas. O Estado também decidiu dar prioridade ao cultivo da ka’a he’ê, “o que nos permitiu recuperar em poucos meses todos os anos perdidos”, enfatizou Fischer, se referindo aos avanços em matéria de regulamentação sanitária e denominação de origem como aditivo alimentar. Estes esforços também são apoiados em círculos científicos. Especialistas do Instituto Agronômico Nacional desenvolveram uma nova variedade de estévia, denominada ireté, que permite conseguir o dobro de princípio ativo com a mesma quantidade de folhas, disse Riquelme.


* O autor é colaborador da IPS.




Copyright © 2007 Tierramérica. Todos os Direitos Reservados

 

Links Externos

Câmara Paraguaia da Estévia

Comitê Misto de Especialistas em Aditivos Alimentícios (Jecfa, sigla em inglês)

Laboratório JBB Stevia

Terramérica não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.