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Sem cura para mares enfermos

Por Diego Cevallos*

Entre 80% e 90% dos esgotos são despejados sem tratamento nos mares da América Latina. Há poucos esforços para evitar essa situação, afirmam especialistas.

MÉXICO.- A América Latina e o Caribe mal dão atenção à gigantesca enxurrada de descargas municipais, lixo, hidrocarbonos e pesticidas em suas águas marítimas. Assim, milhões de dólares são perdidos com a deterioração dos ecossistemas, redução dos volumes de pesca e danos à saúde humana. Estudos indicam que entre 80% e 90% do esgoto proveniente de fontes terrestres chegam aos mares da região sem nenhum tratamento. Ali afetam milhões de peixes e crustáceos, os de maior importância comercial, e ecossistemas frágeis que começam apresentar as conseqüências.

Embora as informações disponíveis sejam escassas, tudo indica que existe “um grande problema”, disse ao Terramérica Chris Corbin, a principal autoridade do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em matéria de contaminação marinha no Caribe. O especialista e delegados da região se reúnem, entre 22 e 26 de agosto, na capital do México, para analisar a situação, avançar em programas nacionais e conjuntos, e traçar estratégias. Corbin lamentou que para a maioria dos governos a contaminação de mares e rios não seja assunto prioritário. Entretanto, em 1996, os ministros da região a declararam como o principal problema ambiental.

“Muitos acordos e compromissos são feitos, mas tudo fica nas palavras”, afirmou Felipe Vázquez, pesquisador do Instituto de Ciências do Mar e Limnologia da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam). A América Latina e o Caribe têm 64 mil quilômetros de litoral e 16 milhões de quilômetros quadrados de territórios marinhos, diariamente afetados por milhares de toneladas de esgoto, procedente de zonas urbanas, industriais e agrícolas. Sessenta das 77 maiores cidades da região são costeiras, e 60% da população vive a menos de cem quilômetros do litoral.

Esses centros urbanos e suas indústrias, incluindo a petroleira, despejam esgoto no mar e pressionam seus hábitat de forma direta, e também o fazem aqueles que vivem terra adentro, com o traslado de esgoto para os rios. Apenas 2% do esgoto recebe tratamento antes de chegar a rios e mares. A plataforma marítima regional é pouco profunda e relativamente estreita, quase sempre inferior a 20 quilômetros, e cai em abrupto declive até mais de seis mil metros. Esta topografia permite que as correntes profundas renovem com relativa velocidade a água contaminada.

Porém, a descarga de esgoto chegou a tal ponto que essa vantagem está por se perder. Estudos da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) indicam que alguns manguezais e arrecifes de coral foram danificados além de sua capacidade de recuperação. Além disso, em toda a região se reporta uma clara redução da pesca e há uma evidente agressão à qualidade dos alimentos de origem marinha. Não há dados concludentes sobre o impacto na saúde humana destes problemas, mas investigações feitas pelo Pnuma indicam que o consumo de alimentos de zonas costeiras e de água doce proveniente de áreas contaminadas produzem cerca de 2,5 milhões de casos de hepatite e 25 mil mortes.

Além disso, doenças como cólera e diarréia e muitas afecções da pele estão diretamente vinculadas à contaminação dos mares. Vázquez afirma que os governos “estão paralisados” diante do avanço da contaminação do mar e que as medidas aplicadas são dispersas e escassas. “Esta é, por exemplo, a situação em que se colocou os mangues, um ecossistema em decadência”, disse em entrevista ao Terramérica. A superfície mundial de mangues – florestas pantanosas de mangue em zonas costeiras como estuários, baías e enseadas – diminuiu 35% nas últimas décadas, chegando a cerca de 17 milhões de hectares.

A destruição desse ecossistema, decorrente da contaminação, do avanço urbano e das indústrias ou do agronegócio, segue ao ritmo de 2,1% ao ano, enquanto as florestas tropicais diminuem 0,8% anualmente, segundo estudos feitos pela organização ecologista Greenpeace. O Pnuma advertiu, em junho, que na América Latina a destruição dos mangues continua desenfreada e em países como Honduras e Equador a situação é especialmente grave, pois ali foram arrasadas para que fossem construídos tanques para cultivo de camarão. Setenta por cento dos peixes capturados no mar nasceram, dependeram de alguma forma ou se reproduziram em mangues, barreiras naturais de faixas costeiras muito frágeis.

Segundo o documento da Cepal, intitulado “A contaminação dos rios e seus efeitos nas áreas costeiras e no mar”, na América Latina e no Caribe há poucos recursos e dispersão de esforços para enfrentar estes fenômenos. “Existem problemas importantes de integração e enfoque na gestão da água, bem como de estratégias para controlar o efeito negativo que tem a contaminação dos rios nas bacias baixas e nas áreas costeiras, inclusive pelo deságüe de esgoto sólido no mar e nas praias, por causa da transformação dos rios em verdadeiros lixões”, diz o estudo. Se não forem tomadas medidas, os países litorâneos sofrerão agravamento de suas perdas econômicas, com a redução do turismo e da pesca, alertou o pesquisador da Unam.

O problema da contaminação marítima de origem terrestre é centro de debates e iniciativas de caráter global desde os anos 70. Para enfrentá-los foram assinados numerosos acordos regionais e mundiais, patrocinados por agências da Organização das Nações Unidas. A reunião do México é parte desse processo, e um passo a mais para a reunião intergovernamental do Programa de Ação Mundial para a Proteção do Meio Marinho frente às Atividades Realizadas em Terra, programada para outubro de 2006, na China.

* O autor é correspondente da IPS.




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Links Externos

Pnuma el Caribe

Programa de Ação Mundial para a Proteção do Meio Marinho frente às Atividades Realizadas em Terra

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