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Satélites desvendam segredos maias |
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Por Jorge Grochembake*
Imagens
feitas do espaço pela Nasa ajudam a localizar novos vestígios desta
cultura ancestral na Guatemala.
GUATEMALA.- Novos vestígios maias, ocultos
sob a terra e uma densa floresta, são localizados na Guatemala pela
tecnologia de satélites, revelando mais segredos desta cultura ancestral.
Especialistas guatemaltecos, junto com acadêmicos e cientistas da
Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), dos Estados
Unidos, estão localizando novas ruínas na região de San Bartolo,
no departamento do Petén, por meio de imagens feitas do espaço.
“O trabalho arqueológico agora conta com o auxílio de fotografias
tiradas por satélite”, explicou ao Terramérica Mônica Urquizú, subdiretora
do Projeto Arqueológico Regional San Bartolo, dirigido pelo norte-americano
William Saturno. Dos 20 arqueólogos envolvidos no programa, metade
é guatemalteca e metade norte-americana. A equipe descobriu que
existia uma relação entre a cor e o reflexo da vegetação, tal como
se via nas imagens – com instrumentos que medem a luz comum e também
cobrem o espectro infra-vermelho –, e a localização de conhecidos
sítios arqueológicos.
As imagens que indicam onde pode haver vestígios arqueológicos são
analisadas e, em seguida, o local é visitado e são abertos poços
de sondagem para obter o dado cronológico das ruínas, explicou Urquizú.
O Projeto Regional San Bartolo envolve o Instituto de Antropologia
e História do Departamento de Monumentos Pré-Hispânicos da Guatemala,
o Centro de Vôos Tripulados da Nasa e as universidades norte-americanas
de New Hampshire, Harvard e Yale.
O programa se dedica à pesquisa integral dos vestígios na região,
que inclui as estruturas arquitetônicas e os murais, para entender
a cultura maia, que durou 3,4 mil anos (até o século 19), habitando
o extremo sudeste do México, os territórios da Guatemala e Belize,
e o ocidente de Honduras e El Salvador. Uma das descobertas mais
importantes da arte maia ocorreu precisamente em San Bartolo. Trata-se
de um conjunto de murais, os mais antigos conhecidos até a data,
encontrado em um túmulo real por Saturno, em 2001, e apresentado
ao público em dezembro.
“Foi como descobrir a Capela Sistina sem saber que existiu o Renascimento”,
disse Saturno durante a apresentação. “Isto marca o início da plástica
guatemalteca”, explicou o ministro da Cultura, o indígena Manuel
Salazar. Essa descoberta obrigou a repensar outros estudos que atribuíam
as primeiras pinturas e hieróglifos maias ao período clássico tardio,
entre os anos 550 e 900 depois de Cristo. Os murais nos “mostram
que já havia uma sociedade bem organizada e consolidada, que estava
interessada em pintar a origem do mundo”, disse Salvador Lóez, diretor
do Departamento de Monumentos Maias do Ministério da Cultura.
O mural principal, de nove metros por 90 centímetros, recria o nascimento,
a morte e a ressurreição do deus milho, desenhado em quatro ocasiões
com diferentes animais, oferecendo um sacrifício de sangue. Outros
vestígios estudados em San Bartolo são o Grupo Jabalí, onde no ano
passado se descobriu um peitoral de jade, um túmulo e vasilhas,
que se supõem terem pertencido a um rei, contou Urquizú. Também
estão o grupo habitacional Las Plumas, o da pirâmide Las Ventanas
e o Palácio El Tigrillo. Urquizú adiantou que continuarão as pesquisas.
“Se existe este sítio, que tem murais tão ricos, eles também devem
ser encontrados em outras partes”, previu.
A Nasa, que colabora com as imagens de satélite desde 2003, anunciou,
no dia 17 de fevereiro, a continuidade de sua participação no projeto
para resgatar outros vestígios maias. Além disso, se busca conhecer
os motivos, até agora ignorados, do cataclismo dos maias, atribuído
a secas e ao desmatamento.
* O autor é colaborador do Terramérica.
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