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Em perigo biótopo mais longo da Europa |
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agricultura intensiva ameaça um corredor verde na antiga fronteira
inter-alemã, com mais de mil quilômetros de comprimento.
BERLIM.- Ao longo da fronteira que durante
a Guerra Fria separou as duas Alemanhas, formou-se uma espécie de
cinturão verde que abriga milhares de espécies em vias de extinção.
Agora, 16 anos depois da queda do Muro de Berlim, a exploração agrícola
ameaça a existência desse conjunto de biomas. Entre 1945 e 1989,
época da confrontação dos Estados Unidos, e seus aliados da Europa
ocidental, com o bloco soviético, os três mil quilômetros do Muro,
entre as antigas República Democrática Alemã e República Federal
Alemã, foram conhecidos como a “zona da morte”, pelos dispositivos
militares instalados de cada lado dessa barreira.
Esta fronteira se converteu também em um corredor verde pleno de
vida, com 50 a 200 metros de largura, que ia do Mar do Norte até
a Floresta de Turingia, no limite com a República Checa, hábitat
para milhares de espécies, que podiam se mover sem as travas da
ação humana. “O corredor verde constitui o biótopo contínuo mais
longo da Europa, de quase 1,4 mil quilômetros, onde espécies em
vias de extinção podem se mover e se expandir”, explicou ao Terramérica
Liana Geidezis, diretora do projeto Grünes Band (Corredor Verde)
no grupo ecologista alemão Bund.
Segundo dados do Escritório Federal para a Proteção da Natureza,
existem no corredor 181 zonas protegidas, nas quais vivem mais de
mil espécies animais e botânicas consideradas em perigo de extinção.
Entre elas está o martim pescador (Alcedo atthis), pequeno pássaro
de penugem verde, azul, castanha e vermelha, que necessita de correntes
de água impecavelmente limpas para sobreviver. Também a cegonha
negra (Ciconia nigra), que busca florestas protegidas para se reproduzir,
bem como determinadas orquídeas exóticas e centenas de arbustos
em vias de extinção.
“Nos últimos 16 anos, a agricultura dos dois lados da antiga fronteira
se integrou, destruindo paulatinamente o corredor verde”, disse
Geidezis. “Se o crescimento das explorações agrícolas nos dois lados
continuar, o corredor desaparecerá”, ressaltou. A Bund confirma
esta perspectiva desanimadora em um estudo recente apresentado às
autoridades ambientais. Nele, ecologistas comparam dados atuais
do biótopo ao longo da antiga fronteira alemã com amostras de 2001.
Além do crescimento das explorações agrícolas, outras atividades
humanas, incluindo as esportivas, como motocross, contribuem para
a destruição sistemática do corredor.
O governo alemão também contribuiu com a destruição do corredor.
Entre 1997 e 2003, o Ministério das Finanças vendeu parcelas do
mesmo para exploradores agrícolas privados, e somente sob pressão
de grupos ecologistas concordou, em 2003, com a idéia de criar um
biótopo protegido. Entretanto, problemas burocráticos próprios de
uma entidade federal impedem até hoje sua criação oficial. Para
acelerar o processo, a Bund propôs criar títulos de propriedade
sobre parcelas do biótopo a serem adquiridas por particulares interessados
em protegê-lo, que tem o preço-base de 65 euros (US$ 80). Com o
corredor em mãos de particulares, sua proteção seria mais fácil,
afirmou Geidezis.
A Bund também encontrou boas novas. Em algumas regiões, como ao
redor da cidade de Salzwedel, cerca de 200 quilômetros a oeste de
Berlim, a agricultura intensiva nos dois lados do corredor verde
diminuiu, permitindo o reflorestamento e o assentamento de novas
espécies. Para Geidezis, estas notícias estão ligadas ao trabalho
conjunto de ambientalistas e agricultores. “Onde houve cooperação
detectamos melhor dinâmica de proteção”, afirmou.
* O autor é correspondente da IPS.
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