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Recomeça a caça a focas no Canadá |
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Por Stephen Leahy*
Cerca de 325 mil animais estão na mira dos caçadores no Golfo de São Lorenzo. Autoridades e moradores justificam o sangrento espetáculo.
TORONTO, Canadá.- Apesar dos protestos de ativistas defensores dos direitos dos animais, como o ex-beatle Paul McCartney e a atriz francesa Brigitte Bardot, a caça de focas começou no Canadá, no dia 25 de março, no gelado Golfo de São Lorenzo.
Este ano, o governo canadense aumentou a cota de caça de focas harpa (Phoca gorenlandica), de 319 mil para 325 mil. “Isso é exagerado”, afirmou Chris Cutter, ativista do Fundo Internacional para o Bem-Estar dos Animais (IFAW).
O cálido inverno deixou pouco gelo no Golfo, disse Cutter ao Terramérica, depois que sobrevoou a região de helicóptero, no dia 20 de março. “Quase não vimos focas”, contou.
As focas harpa, cujo lombo, quando adultas, se assemelha a esse instrumento musical, costumam dar à luz sobre o gelo flutuante, onde estão a salvo dos predadores de terra firme.
Os filhotes podem flutuar, mas são maus nadadores e freqüentemente se afogam durante as tempestades. A manada de focas harpa está composta por cerca de 5,8 milhões de animais, e estima-se que nasça um milhão a cada ano, disse Phil Jenkins, porta-voz do Departamento Federal de Pesca e Oceano (DFO), que regulamenta a caça.
A falta de gelo foi considerada ao se estabelecer a cota de caça para 2006, disse Jenkins ao Terramérica. “McCartney e as organizações de defesa dos animais têm informação equivocada sobre a caça”, afirmou.
As imagens do ex-beatle e sua esposa posando com ternos filhotes de foca brancos percorreram o mundo.
Estes filhotes – cuja caça é ilegal desde 1987 – perdem sua pelagem branca aproximadamente 12 dias após nascerem, e têm entre três e oito semanas quando são mortos por causa da pele de pêlo curto, que pode ser vendida por até US$ 70 a unidade.
Contudo, a polêmica sobre a crueldade com os animais supera amplamente a da sustentabilidade da caça.
A cada ano, centenas de ativistas e jornalistas europeus e norte-americanos chegam a esta fria e tormentosa região do Canadá para protestar e presenciar um sangrento espetáculo. Milhares de focas jovens recebem disparos ou golpes mortais para terem, em seguida, a pele retirada. Às vezes ainda estão vivas quando são despeladas, afirmou Cutter.
“A caça não é bonita de se ver, matar animais nunca é bonito”, disse a ambientalista Lori-Ann Martino, de St. John, em Newfoundland.
A maioria dos caçadores de focas é dessa província oriental, onde a caça de focas e a pesca foram o principal meio de vida durante séculos.
“A maioria dos habitantes de Newfoundland ama os animais e 90% deles apóiam a caça", disse Martino ao Terramérica.
Estando com sua economia deprimida e proibidos de pescar várias espécies, restam poucas opções para obter renda, acrescentou. “Os US$ 2 mil que um caçador de focas ganha podem parecer pouco, mas são bastante quando alguém vive com US$ 700 mensais o resto do ano”.
A oposição internacional, que demoniza os moradores de Newfoundland como bárbaros que brandem “hakapiks”, fortaleceu sua resolução de continuar caçando focas, afirmou.
Os “hakapiks” são garrotes com um gancho na ponta utilizados para caçar no Golfo de São Lorenzo.
Disparar contra focas que estão sobre gelo flutuante a partir de botes que balançam faz com que algumas fiquem feridas e sofram, concluiu o Grupo de Trabalho de Veterinários Independentes (IVWG) sobre a caça da foca harpa canadense, em 2005.
Esta organização disse que, “já que se caça focas harpa, a matança deveria ser feita humana, correta e eficientemente”, e formulou 11 recomendações. Entre suas críticas está a de que a caça supõe uma batalha que recompensa os que juntam mais peles.
Embora o DFO ainda não tenha implementado todas as recomendações, foram estabelecidas cotas regionais para reduzir a competição entre caçadores, disse Jenkins. “Também teremos na região mais funcionários para fazer com que sejam cumpridas”, acrescentou.
Mas “as cotas regionais não farão nenhuma diferença. A economia da caça de focas significa que eles têm de matar o mais rápido possível”, até atingir a cota, disse Rebecca Aldworth, da Humane Society of the United States (Sociedade Humana dos Estados Unidos).
As perigosas condições de caça implicam custos enormes em seguros para barcos e pessoas. Além disso, há muitos caçadores buscando poucas focas, disse Aldworth em uma entrevista.
“Os números da população do DFO são absurdos”, afirmou, prevendo que, neste ritmo, no futuro próximo a população de focas harpa entrará em colapso.
“Isto é uma repetição do que ocorreu com as populações de bacalhau setentrional administradas pelo DFO”, afirmou. O DFO manteve muito altas as cotas dessa variedade, por razões políticas, e agora, dez anos depois de proibir sua pesca, as reservas de bacalhau continuam esgotadas.
Equivocadamente, segundo Aldworth, muitos pescadores culpam as focas harpa por isso.
* O autor é colaborador do Terramérica.
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