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Radiotelescópio promete revelar origem do universo |
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Por Daniela Estrada*
O
gigantesco instrumento, cujas 66 antenas se erguem no deserto chileno
de Atacama, revelará dados cruciais sobre o cosmos a partir de 2012.
SANTIAGO, Chile.- O projeto radioastronômico
Alma, o maior de sua classe no mundo, está sendo erguido no deserto
chileno de Atacama e promete ajudar a revelar nada menos que as
chaves da origem do universo. Alma é a sigla em inglês de Grande
Conjunto de Radiotelescópios Milimétricos de Atacama, uma iniciativa
de US$ 550 milhões dos Estados Unidos, Japão e Observatório Europeu
Austral (ESO), que reúne 12 países do continente.
O projeto prevê a instalação de 66 antenas, com uma resolução dez
vezes superior ao telescópio espacial norte-americano Hubble, considerado
o instrumento astronômico mais avançado até o momento. Colocado
em órbita pelo transportador Discovery da agência espacial norte-americana
(Nasa), em abril de 1990, o Hubble permitiu observar os espectros
infravermelho e ultra-violeta, fornecendo nova informação sobre
o cosmos.
A partir de 2012, quando entrarem em operação todas suas antenas,
o Alma prevê estudar a idade do universo, seu tamanho e estrutura,
a formação de galáxias semelhantes à Via Láctea, o nascimento de
novas estrelas em nuvens de gás e pó, e a criação de novos planetas.
Segundo o astrônomo da Universidade do Chile, Leonardo Bronfman,
o projeto Alma trará quatro grandes benefícios para este país de
15,6 milhões de habitantes. Em primeiro lugar, “será o maior observatório
radioastronômico do mundo durante os próximos 30 anos e, segundo
estabelece o convênio de concessão, os astrônomos chilenos têm reservado
10% do tempo de observação”, disse Bronfman ao Terramérica.
Além disso, o consórcio internacional está obrigado a entregar anualmente
uma quantia em dinheiro ao Estado chileno, que será destinado ao
desenvolvimento da astronomia nacional e ao avanço social da região.
O projeto Alma também impulsionou a formação de profissionais especializados,
como engenheiros elétricos que estão se preparando para trabalhar
na construção e manutenção do observatório. Bronfman destacou a
contratação de mão-de-obra local para instalar as antenas, construir
o centro de operações e estender o fornecimento de eletricidade,
água e comunicações.
A radioastronomia esquadrinha o céu por meio da análise das ondas
de rádio milimétricas e submilimétricas emitidas por estrelas, planetas
e galáxias nas zonas mais frias do universo, longitudes impossíveis
de serem detectadas nos telescópios tradicionais. As 66 antenas,
de 110 toneladas e 12 metros de diâmetro cada uma, poderão operar
juntas observando simultaneamente uma mesma fonte astronômica, ou
em separado. O lugar escolhido para o projeto é a planície de Chajnantor,
no deserto de Atacama, segunda região do Chile, 5,1 mil metros acima
do nível do mar.
Por sua grande altitude, estabilidade atmosférica e escassa umidade,
Chajnantor, 1,6 mil quilômetros a nordeste de Santiago, é um dos
melhores locais do mundo para a exploração radioastronômica. Contudo,
devido à baixa concentração de oxigênio presente no local, o centro
de operações do Alma atualmente é construído a 2,9 mil metros de
altitude, perto de San Pedro de Atacama. Ainda não começaram os
trabalhos em Chajnantor.
Os céus transparentes do Chile setentrional são os grandes responsáveis
pelo desenvolvimento da astronomia nacional, disse ao Terramérica
Gaspar Galaz, astrônomo da Universidade Católica. Por esta razão,
já foram instalados numerosos observatórios internacionais, como
os de Paranal e La Silla, também propriedade do ESO. Entretanto,
o cientista disse que no Chile existem pouquíssimos especialistas
em radioastronomia, o que pode, inicialmente, dificultar o aproveitamento
desta ferramenta.
Segundo estudo feito em 2005 pela Academia Chilena de Ciências,
o país conta com 54 astrônomos, que representam 2% da comunidade
científica nacional e cuja produção bibliográfica é superior à de
seus colegas latino-americanos e próxima da média norte-americana
de duas décadas atrás. Neste ritmo, se projeta que a astronomia
chilena possa se converter na primeira ciência nacional a alcançar
padrões de país desenvolvido.
De acordo com o escritório da ESO no Chile, a primeira antena do
Alma chegaria ao país entre o final de 2007 e o início de 2008,
ano em que o radiobservatório poderia começar a funcionar parcialmente.
O primeiro passo do projeto foi dado em 1998, quando o então presidente
chileno Ricardo Lagos (2000-2006) declarou a zona como reserva científica
nacional. Em 2003, o presidente entregou, em concessão por 50 anos,
18 mil hectares ao consórcio norte-americano-europeu, ao qual, mais
tarde, aderiu o Japão.
O Alma é financiado pelo ESO, Fundação Nacional de Ciências dos
Estados Unidos (NSF), Conselho Nacional de Pesquisas do Canadá (NRC)
e Ministério das Finanças do Japão. Em sua construção e operação
participam o ESO, o Observatório Radioastronômico Nacional dos Estados
Unidos (NRAO) e Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ).
* A autora é colaboradora do Terramérica.
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