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Fracassa
plano para limpar o ar em Santiago |
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Por Gustavo González*
Segundo
empresários, a primeira pré-emergência do ano significou perdas
de US$ 3,9 milhões. Eles pedem a Bachelet que tome medidas urgentes.
SANTIAGO.- O fracasso do plano proposto em
2000 para limpar o ar de Santiago, a capital chilena, de cinco milhões
de habitantes, é o maior problema ambiental que enfrenta o novo
governo da presidente Michelle Bachelet. Neste ano, Santiago teve
um dia de pré-emergência ambiental e vários dias de alertas, como
conseqüência do aumento da poluição, que obriga a restringir a circulação
de veículos, paralisar caldeiras e outras fontes fixas de emissão
e, inclusive, proibir atividades esportivas nas escolas.
As condições climatológicas críticas que este ano apresenta, devido
ao fenômeno La Niña, com escassez de chuvas e baixas temperaturas,
evidenciaram a falta de proteção ambiental da capital, já destacada
em pelo menos dois informes de auditores internacionais que apontaram
o atraso de muitas das medidas do chamado Plano de Prevenção e Descontaminação
Atmosférica (PPDA), prometido em 2000. Segundo fontes empresariais,
a pré-emergência do dia 12 maio significou perdas econômicas de
US$ 3,9 milhões, devido à paralisação de 596 indústrias e de 320
mil meios de transporte, incluídos 120 mil automóveis com selo verde,
que utilizam gasolina sem chumbo.
Os empresários se queixam “do impacto em seu bolso, mas, sem dúvida,
as pré-emergências também significam um benefício para a saúde”,
disse ao Terramérica Sonia Garrido, que nos casos de alta contaminação
precisa de assistência médica para seu filho de cinco anos, propenso
a obstruções respiratórias. As crianças e os idosos são os mais
prejudicados pela má qualidade do ar em Santiago, cuja localização
em um vasto vale cercado de montanhas, sem circulação de ventos,
a converte em uma das cidades mais poluídas da América Latina, junto
com São Paulo e Cidade do México.
A virtual crise ambiental fez com que o intendente (autoridade governamental)
da Região Metropolitana, Victor Barrueto, convocasse uma junta de
especialistas que apresentou nove recomendações para um melhor registro
das emissões contaminantes e uma instrução normativa mais rigorosa
na qualidade do diesel. O próprio Barrueto anunciou outras seis
medidas para pôr em dia o PPDA, embora as autoridades tivessem que
admitir que, simultaneamente, haverá atraso de pelo menos quatro
meses no Plano Transantiago, de racionalização do transporte público,
que deveria estar em plena aplicação em outubro e agora está atrasado
até o primeiro trimestre de 2007.
Na hora de buscar culpados, aponta-se que o governo anterior, do
presidente Ricardo Lagos (2000-2006), não deu recursos suficientes
para o PPDA por meio da Comissão Nacional de Meio Ambiente, e também
que muitas de suas medidas atrasaram por causa de normas arcaicas
da Controladoria Geral da República. A crise ambiental é conseqüência
da “falta de vontade política, já que muitas das medidas do plano
foram violadas sistematicamente pelas próprias autoridades governamentais”,
disse ao Terramérica Luis Mariano Rendón, coordenador da não-governamental
Ação Ecológica.
Com a conversão para usos urbanos de terras agrícolas da periferia
de Santiago, a especulação imobiliária é, segundo Rendón, um exemplo
de como foram descumpridas as medidas do plano, com o “casamento
entre os negócios e a política”, no qual os funcionários públicos
favorecem investimentos privados. Com apoio da Ação Ecologia e do
Movimento Furiosos Ciclistas, da Rede Pró-Ciclistas, entre outros,
foi convocada, para o dia 20 de maio, a jornada “Bicicletando La
Moneda”, com grupos de ciclistas pedalando ininterruptamente, durante
12 horas, em volta do palácio presidencial, na Praça da Constituição.
Esta ação, às vésperas da primeira Mensagem à Nação da presidente
Bachelet no Congresso, foi convocada para exigir o cumprimento de
sete medidas que, segundo este setor ecologista, são urgentes para
reduzir a poluição e que visam, sobretudo, desestimular o uso do
automóvel. Estas propostas se somam às de outras organizações cidadãs
que defendem maior racionalização do transporte, fiscalização de
emissões industriais com normas mais rigorosas, e também padrões
mais rígidos para os combustíveis, especialmente o diesel, cuja
demanda aumentou nos últimos anos.
“É a pressão da cidadania que vai mudar as coisas. Os planos de
despoluição fracassaram por serem feitos com uma concepção técnica
e burocrática. O necessário é uma mudança cultural, em que todos
tomemos consciência de que andar de automóvel em Santiago hoje em
dia é como fumar no quarto de uma casa”, afirmou Rendón.
* O autor é correspondente da IPS
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