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Um novo lar para a baleia azul |
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Por Daniela Estrada*
Encontra-se
em fase de estudo a criação de uma nova área protegida no sul do
Chile para o maior mamífero do mundo. A iniciativa tem o apoio de
multimilionários com investimentos na área.
SANTIAGO, 3 de julho (Terramérica).- O Golfo
de Corcovado, que, no sul do Chile, abriga por cerca de cinco meses
ao ano centenas de baleias azuis em busca de alimento, está em vias
de ser transformado em área marinha e costeira protegida. A baleia
azul é o maior animal do mundo (pode passar de 30 metros de comprimento)
e é ainda considerada em risco de extinção, já que a indústria baleeira
reduziu sua população a 3% no hemisfério sul. Os cetáceos desta
espécie começaram a ser observados em 1999 por um grupo de cientistas
no mar vizinho à ilha de Chiloe e do Golfo de Corcovado, entre as
regiões X e XI do país, mil quilômetros ao sul de Santiago.
Segundo as pesquisas mais recentes, estes gigantescos mamíferos
chegam junto com seus filhotes à região para se alimentar de krill,
um crustáceo encontrado em abundância nesse lugar, e deixam a costa
chilena entre junho e julho. Esta descoberta contradiz os tradicionais
postulados científicos segundo os quais a baleia azul (Baladenoptera
musculus) no verão migra para os pólos em busca de comida e no inverno
se dirige aos trópicos para dar à luz e se acasalar. Considerando
a importância mundial da descoberta, a Comissão Regional do Meio
Ambiente (Corema) da região X de Los Lagos, a Universidade Austral
do Chile e o Centro Baleia Azul (CBA) elaboraram, em 2003, uma proposta
técnica para transformar o setor em Área Marítima e Costeira Protegida
de Múltiplos Usos (AMCP-UM), categoria diferente de um santuário
natural.
“Optamos por uma categoria mais ampla, de manejo integral de ecossistemas,
que deriva do Protocolo da Comissão Permanente do Pacífico Sul”
(criada em 1952 por Peru, Equador, Colômbia e Chile), explicou ao
Terramérica Rodrigo Hucke-Gaete, pesquisador do CBA. “Pode-se declarar
uma grande área marinha e costeira protegida, combinando a proteção
do ecossistema e as atividades produtivas que ali são realizadas”,
acrescentou. Em 2004 e 2005, foi realizada uma série de “painéis
de socialização” para divulgar publicamente a proposta, com a participação
de representantes do governo central, autoridades locais, empresários
da indústria do salmão e do turismo, além da comunidade.
A iniciativa tem o apoio de todos os setores, inclusive dos dois
multimilionários que possuem terrenos vizinhos ao Golfo de Corcovado:
o empresário e ecologista norte-americano, Douglas Tompkins, e o
ex-candidato à presidência do Chile pela oposição direitista, Sebastián
Piñera. Uma vez aperfeiçoada, a proposta foi apresentada à Comissão
Regional do Uso da Margem Costeira da Região X, integrada por autoridades
governamentais e representantes dos setores produtivo e turístico
da região, que a aprovou em março por unanimidade.
Agora está nas mãos da comissão do mesmo nome da região XI. Se a
resposta desta entidade também for positiva, deverá ser estudado
pelos ministérios da Defesa e da Economia e pela Secretaria Geral
da Presidência, que deverão emitir um decreto para, finalmente,
ser assinado pela Presidência da República. O Chile já declarou
três áreas marítimas e costeiras protegidas de múltiplos usos, graças
ao projeto “Conservação da biodiversidade de importância mundial
ao longo da costa chilena”, desenvolvido pela governamental Comissão
Nacional do Meio Ambiente (Conama) desde 2005.
A Conama apresentou este projeto ao Fundo para o Meio Ambiente Mundial
(GEF, sigla em inglês) para apoiar, em uma primeira fase (2005-2010),
a designação de três áreas protegidas e preparar um completo sistema
de administração. A longo prazo, o organismo pretende formar uma
rede de áreas protegidas, fortalecendo as associações público-privadas
e promovendo o ecoturismo. “Neste momento, nosso principal objetivo
é criar um contexto institucional regulamentar e de gestão nacional
das áreas marítimas e costeiras protegidas”, disse ao Terramérica
o coordenador nacional do projeto, Roberto de Andrade.
As três áreas declaradas são Punta Morro-Río Copiaopó, na região
III de Atacama; Lafken Mapu Lahual (Mar e Terra de Alerces), na
região X de Los Lagos, e Francisco Coloane, na região XII de Magalhães.
O projeto tem orçamento de US$ 11 milhões, dos quais US$ 6,1 milhões
investidos pelo governo do Chile, US$ 3,8 milhões pelo GEF e US$
1,1 milhão pelo setor privado. Rodrigo Hucke-Gaete tem esperança
de que, no final deste ano, o Golfo de Corcovado alcance esta categoria,
o que permitiria estudar o comportamento das baleias azuis em um
contexto mais seguro. Apesar de este lugar não integrar a lista
de 12 setores prioritários identificados pela Conama, Andrade acredita
que sua designação como área marítima e costeira protegida dependerá
dos estudos complementares que forem feitos, da articulação das
duas regiões e do grau de consenso que alcançarem os setores envolvidos.
* A autora é correspondente da IPS.
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