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Praias do Caribe e ecossistemas marinhos em perigo |
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Por Dalia Acosta*
São
necessárias leis mais drásticas que protejam as praias para evitar
o processo de degradação. Existe um desequilíbrio entre investimento
turístico e os programas nacionais para o turismo sustentável.
HAVANA, 31 de julho (Terramérica).- O geógrafo
José Luis Juanes Martí, do Instituto de Oceanografia de Cuba, exorta
que “se enfrente com muita seriedade e urgência” a deterioração
ambiental das praias caribenhas. A imagem de areias paradisíacas,
que há mais de duas décadas serviu de sustento para vários países
da área, poderia desaparecer pelo impacto dos cada vez mais freqüentes
furacões e pela elevação do nível do mar, mas também como resultado
da atividade humana.
Rochas em lugar de areia, árvores caídas, construções destruídas
e invasão do mar terra adentro são os sintomas mais visíveis da
erosão que ameaça tanto praias do México e da Colômbia quanto as
pequenas ilhas do Caribe. O Terramérica conversou com Juanes, co-autor
do relatório regional Diagnóstico dos Processos de Erosão nas Praias
Arenosas do Caribe (2003), na sede da instituição onde trabalha
desde 1979, em Havana, capital de Cuba.
Terramérica: A erosão das praias caribenhas varia desde um metro
até nove metros por ano. Como se explica isto?
José Luis Juanes Martí: As ondas atacam a praia, colocam em suspensão
a areia e geram correntes que a transportam para muito longe da
costa. Com ondas moderadas, os organismos marinhos morrem e seus
restos calcários se convertem em nova areia que chega na praia.
Existe um desequilíbrio entre essa produção e a quantidade que se
perde durante uma tempestade. Vemos superfícies rochosas onde sempre
existiu somente areia, escarpas nas praias, árvores caídas e construções
destruídas. O mar penetra cada vez mais na terra.
Que papel têm as construções sobre as dunas?
As dunas acumulam areia em um momento e entregam em outro. Se construímos
sobre a duna, eliminamos essa parte da praia. Ao encontrar a areia
mais próxima do mar do que deveria, a onda a arrasta para mais longe
e a leva a uma profundidade da qual não regressa. As construções
não trazem nem tiram areia, mas aceleram a erosão.
A erosão da uma praia pode ter outro impacto além da perda do
valor paisagístico, recreativo e econômico?
As praias fazem parte de um sistema costeiro muito diverso, onde
tudo interage. A erosão de uma praia pode gerar acúmulo de areia
na pendente submarina e afetar o arrecife com toda sua riqueza.
Um grande acúmulo de areia sobre um arrecife provoca sua morte.
No entanto, continuam as construções sobre a areia.
A maioria das legislações do mundo estabelece uma distância fixa
para construir. Não leva em conta os processos naturais nem as diferenças
entre os litorais. Em alguns países são estabelecidos cem metros
desde o ponto de máxima penetração do mar, mas em outros pode ser
de apenas dez metros. Em Cuba foi aprovada uma legislação verdadeiramente
revolucionária, que estabelece normas para cada tipo de litoral
e proíbe construções na praia toda, incluída a duna, independentemente
de sua largura. O limite definido é de 40 metros a partir da duna.
O problema é especialmente preocupante nas pequenas ilhas?
Na zona continental do Caribe há praias magníficas.Cancún, por exemplo,
mas o México não vive apenas desse turismo. Tem outros recursos
naturais, como água, minerais e petróleo. Nas pequenas ilhas, as
praias são o principal recurso natural e econômico, e deveriam receber
mais atenção. Entretanto, isso não acontece. Muitos países carecem
de uma verdadeira estratégia para um turismo sustentável. Nota-se
na localização de suas instalações, nas extrações generalizadas
de areia para a construção e em planos de manejo insuficientes,
em muitos casos, inapropriados.
Qual seria a melhor opção para recuperar as praias caribenhas?
As medidas para enfrentar a erosão nem sempre são executadas com
rigor científico: copia-se soluções tradicionais – como a construção
de espigões – de sucesso em zonas continentais, mas nem sempre idôneas
em nossas condições. Às vezes, respondem a interesses de proprietários
isolados e não a um programa ambiental. Entre as alternativas mais
usadas está a alimentação artificial, devolvendo à praia em breve
tempo a areia que perdeu durante anos. Contudo, antes é preciso
realizar um estudo para encontrar o local apropriado para a extração,
muitas vezes o mesmo banco que se formou com a areia perdida. Assim
foi feito no sul do Estado da Flórida, nos Estados Unidos, onde
as praias receberam quase dez milhões de metros cúbicos de areia
nas décadas de 70 e 80. O mesmo ocorreu no balneário cubano de Varadero
(a leste de Havana), onde foram colocados mais de um milhão de metros
cúbicos desde 1998.
Quais são as perspectivas para o Caribe?
Se as praias do Caribe não são protegidas e caem em um processo
de degradação e, ao contrário, as do Estados Unidos são recuperadas
e mantidas, enfrentaremos um desvio do turismo que chega aos nossos
países e que é, majoritariamente, norte-americano. A competição
é muito forte. Os turistas vêm para cá porque temos boas praias,
um clima excelente e condições ambientais de primeira. Porém, se
não soubermos proteger tudo isto sairemos perdendo. Infelizmente,
não há uma relação entre a magnitude dos investimentos turísticos
e os passos para impulsionar programas nacionais de manejo da zona
costeira ou desenvolver um turismo sustentável. Tratando-se das
pequenas ilhas do Caribe que vivem do turismo de praia, compremetemos
tudo.
* A autora é correspondente da IPS.
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