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Artigo


Nova febre do ouro na América Central

Por Thelma Mejía*

Multinacionais estão interessadas em desenvolver mais de 250 projetos na região. Comunidades afetadas se mobilizam e reclamam seu direito à informação.

TEGUCIGALPA, 07 de agosto (Terramérica).- Zonas virgens, concessões atraentes e legislações ambientais débeis incentivam companhias de mineração multinacionais a buscar novas opções de prospecção e explotação de ouro na América Central. Com o pretexto da globalização e do fenômeno do investimento, os governos centro-americanos oferecem às mineradoras concessões por 15 e 30 anos e o pagamento de impostos de 1% ou 2% sobre o total explotado. Estas vantagens colocam o istmo como um importante destino para iniciar uma segunda “febre do ouro”.

Mais de 23 regiões com minas virgens foram identificadas na América Central, segundo as companhias. As multinacionais mais interessadas em investir são principalmente canadenses e norte-americanas, que desejam desenvolver mais de 250 projetos na região. No momento, os governos e as mineradoras enfrentam a resistência das comunidades afetadas, que reclamam o direito à informação. A esta cruzada somaram-se líderes religiosos católicos, que lideram fortes protestos e movimentos em Honduras e Guatemala por causa dos efeitos ambientais e sanitários da explotação de minas.

Em Honduras, o movimento mais forte se concentra no ocidente do país. O seguem os moradores do central Vale de Síria, onde opera a empresa Entremares, de capital canadense, fortemente questionada por suas técnicas de explotação a céu aberto e investigada por provocar – segundo as denúncias – doenças de pele entre os moradores da região. Segundo a secretaria hondurenha do Meio Ambiente, mais de 60% do território nacional é apto para a mineração. Atualmente, organizações sociais reunidas na Aliança Cívica propõem reformas na lei que regulamenta este assunto, que é de 1998, mas estas estão paradas no Congresso por pressões das companhias.

Os protestos de oposição aumentam não apenas no ocidente e centro do país, como também no sul. Segundo o padre Germán Cálix, que lidera o movimento pelas reformas, 31% do território foi entregue em concessão às mineradoras, com 84 permissões concedidas e outras 188 na lista de espera.

Na Guatemala, a presença do projeto de mineração Marlin, da canadense Gladis Gold Limited, no departamento de San Marcos, colocou os povos maias contra as autoridades, culminando com a morte de uma pessoa, em 2005. Nele Deprez, da organização guatemalteca Ceiba, disse ao Terramérica que “o conflito e a indignação social (pelo projeto Marlin) persistem”. Apesar da oposição, o governo concedeu 226 licenças de prospecção e 316 de explotação.

Neste país, organizações como a Ceiba e a Madre Selva apóiam a luta dos povos indígenas, em cujas terras as mineradoras têm seu principal assento. Os moradores argumentam que estas empresas chegaram sem dar informações e violando convênios humanitários internacionais. Em uma consulta popular realizada na última semana de julho, 29.266 moradores foram contra a mineração a céu aberto em quase cem comunidades indígenas do departamento guatemalteco de Huehuetenango. Não é por acaso que os problemas de Guatemala e Honduras também preocupem El Salvador.

Embora nesse país não exista uma explotação de minas como tal, “queremos impedi-la porque vimos seus efeitos em países como Honduras, Peru e Guatemala”, disse ao Terramérica David Pereira, da Associação de Desenvolvimento Econômico e Social. Andrés Mckinley, da Oxfam Internacional em El Salvador, disse que neste país existem 36 concessões de prospecção e uma de explotação que não foi ativada. Esta permissão de explotação foi concedida à canadense Pacific Rim para operar na divisa São Francisco El Dorado, no departamento salvadorenho de Cabanas, explicaram Pereira e Mckinley em conversa com o Terramérica.

Há um mês, o ministro salvadorenho do Meio Ambiente, Hugo Barrera disse – a título pessoal – que a mineração de metais não é compatível com o desenvolvimento de seu país. Agora parece que retirou o que disse: no dia 23 de julho deu luz verde para que as empresas “fomentem” o desenvolvimento em El Salvador. Os moradores da região de Cabanas, onde operaria a única mina até agora aprovada, estão preocupados, pois ainda têm frescas as seqüelas de destruição deixadas na comunidade de El Divisadero pela única mineradora que funcionou ali, há 50 anos.

Em um encontro convocado pela organização anticorrupção Probidade, Irene Mendoza, da localidade de Los Llanitos, no departamento de Cabanas, disse: “Logo, nós também ficaremos sem água”. Em março, o Tribunal Latino-Americano da Água emitiu uma sanção moral contra Nicarágua, El Salvador e Guatemala por permitirem a prospecção e explotação de minas sem medir os impactos ambientais e por violarem convênios internacionais, especialmente dos povos tribais.

Na Nicarágua, a empresa canadense Desminic, que opera na região costeira de Chontales, foi denunciada por causar altos níveis de contaminação no Rio Mico, segundo o Centro Humboldt, que processou essa companhia ao constatar doenças dermatológicas e queda de cabelo nos moradores, além de malformações em bovinos. Na Costa Rica existe uma moratória à mineração a céu aberto, à qual este ano Honduras se somou, diante das pressões sociais que em 2005 levaram ao fechamento de uma mineradora no sudoeste do país. De acordo com o movimento World Rainforest, o Panamá também se tornou solo atraente para as mineradoras canadenses e a maioria de concessões foi outorgada em terras indígenas.

* A autora é colaboradora do Terramérica. Com a contribuição de Jorge Grochembake (Guatemala).




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Enlaces Externos

Entremares

Rede Probidade

Oxfam, El Salvador

Ceiba, Guatemala

Caritas, Honduras

Centro Humboldt, Nicarágua

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