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Analisis


O benfeitor ambiental

Por Monique Barbut*

O Fundo para o Meio Ambiente outorgou subvenções superiores a US$ 6 bilhões desde sua criação há 15 anos. No final do mês acontecerá na África sua terceira assembléia.

WASHINGTON, 19 de agosto (Terramérica).- Em Grandes Esperanças (1861), do novelista britânico da época vitoriana Charles Dickens, o herói Pip tem como protetora anônima a pitoresca Senhorita Havisham. No contexto ambiental, o comum e não reconhecido benfeitor que está por trás do cenário não é uma personagem, mas o Fundo para o Meio Ambiente Mundial, com sede em Washington. Nos últimos 15 anos, o FMAM outorgou mais de US$ 6 bilhões em subvenções para o mundo em desenvolvimento, de Quito a Kuala Lumpur, e está envolvido em mais de 1,8 mil projetos em 140 países.

Quase não há uma área crucial na qual a mão do Fundo não esteja presente. Considere-se a energia eólica e a Índia, um dos países com crescimento mais rápido no mundo e com uma aguda e crescente necessidade de energia para tirar da pobreza milhões de pessoas. Seus projetos e sócios ajudam a acionar um crescimento dramático no desenvolvimento de turbinas eólicas e cooperam para iniciar um mercado de manufatura interno. Em 2005, a Índia tirou da Dinamarca o quarto lugar entre as nações que mais geram energia eólica, com uma capacidade instalada de 4.253 megawatts.

Na fossa tectônica da África, onde a humanidade deu seus primeiros passos instáveis, as rochas incandescentes prometem uma nova e abundante fonte de energia. Um projeto do FMAM tem por objetivo evitar os riscos de perfuração e, por outro lado, aproveitar a recuperação do vapor. A falha, que se estende de Moçambique até o Mar Vermelho, poderia, teoricamente, fornecer eletricidade suficiente para todas as necessidades que acionam o desenvolvimento na região, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e contribuir para a segurança energética.

No mundo em desenvolvimento, a vertiginosa urbanização das cidades está multiplicando os riscos para a saúde, a contaminação atmosférica e as ruas barulhentas e cheias de tráfego. O FMAM, por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e do Banco Mundial, está voltado às iniciativas de “ônibus rápido” e outros tipos de transporte limpo, em cidades como Dar Es Salalm, Cidade da Guatemala, Cidade do Panamá e Santiago. O século XX foi da era industrial. O século XXI será, cada vez mais, da era biológica.

O FMAM apóia o Corredor Biológico Mesoamericano, que une as áreas protegidas e os corredores biológicos em desenvolvimento, do México ao Panamá, tem por objetivo ajudar a conservar a região que sustenta 7% da biodiversidade de plantas do planeta junto com animais exóticos, como o jaguar. O Fundo também ajuda países em desenvolvimento a serem pioneiros em mecanismos de comércio inovadores, para que os produtos e serviços proporcionados pela natureza sejam melhor valorizados e seus guardiões melhor recompensados.

Na Costa Rica, o Fundo está antecipando o pagamento a fazendeiros. O projeto contribuiu com o reflorestamento, o que, por outro lado, reforçará desde a capacidade da natureza para proporcionar fontes de água doce renovável até a captura de gases que causam o efeito estufa na atmosfera. Nos dias 29 e 30 deste mês, os ministros e representantes de mais de 150 países se reúnem na Cidade do Cabo, África do Sul, para realizar a terceira assembléia do FMAM, pela primeira vez na África. O encontro nos oferece uma boa oportunidade para recordar e renovar a visão – e a determinação e o otimismo – que deram à luz o Fundo, há 15 anos.

Vivíamos em épocas diferentes quando o FMAM foi criado. O final de um mundo bipolar e o dividendo da paz pareciam oferecer uma nova oportunidade para resolver muitos dos sofrimentos e desafios que o planeta e sua gente enfrentavam. Estas esperanças ainda não se tornaram realidade, apesar de várias vitórias evidentes e muitas histórias de sucesso, pois a degradação ambiental continua seu curso destrutivo e insustentável. Um FMAM forte, criativo, vibrante, visível e bem apoiado é importante, de fato, ainda mais importante hoje do que já foi.

* A autora é diretora-executiva do FMAM.




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