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Computadores verdes ainda são um sonho |
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Por Por Francesca Colombo*
Na
Itália, somente 15% do lixo eletrônico é reciclado. O país ainda
não está pronto para cumprir a norma comunitária que rege essa matéria.
MILÃO, 2 de outubro (Terramérica).- Apesar
dos esforços europeus para reduzir a contaminação ambiental, apenas
15% dos computadores e outros aparelhos são reciclados anualmente
na Itália, o que dificulta uma solução efetiva para o problema do
lixo eletrônico. O dado é do Consórcio Ecoqual’It, que inclui as
maiores distribuidoras e importadoras de alta tecnologia na Itália.
Segundo seu porta-voz, Stefano Appuzzo, neste país 60% dos aparelhos
elétricos e eletrônicos acabam no lixo comum ou nos porões das casas
e não há mercado para aparelhos reciclados.
“Hoje, os preços dos computadores são baixos e muito competitivos.
Os usuários preferem comprar um computador pessoal novo do que um
reciclado, porque a diferença de preços é pouca. O mercado tem dificuldade
em promover os aparelhos reciclados”, disse Appuzzo ao Terramérica.
Na Itália há cerca de 6,7 milhões de usuários de computadores, fabricados
com mais de mil peças. Muitas têm componentes tóxicos, como mercúrio,
cromo ou chumbo, que prejudicam a saúde e o meio ambiente. A reciclagem
leva tempo, dinheiro e organização. É preciso recolher o material,
desmontar as peças, classificá-las, recuperar o que ainda serve
e deixar de lado o que não serve. Além disso, a tecnologia cria
novos modelos em tempo recorde a encurta sua vida útil. Antes, um
computador pessoal durava cerca de dez anos. Hoje, com quatro é
considerado obsoleto.
Entretanto, já existem algumas iniciativas. Vários jovens milaneses
criaram a sociedade Reciclagem Ética, que vende objetos usados na
Internet e também em mercados de antiguidades e feiras locais, para
sensibilizar os consumidores sobre os problemas trazidos pelo desperdício.
A Reciclagem Ética retira gratuitamente os objetivos jogados fora
pelas pessoas, entre elas componentes de computadores como cabos,
mouses ou monitores, e os revende a preços baixos. “Os computadores
pessoais não deveriam ser comprados, mas alugados. Com isso economizaríamos
muito e seria possível usá-los por mais tempo”, disse ao Terramérica
o diretor da Reciclagem Ética, Tommaso Cerioli.
Existem 300 empresas dedicadas a recuperar aparelhos elétricos e
eletrônicos na Itália. A Progeo Ambiente, por exemplo, criada em
1996, recolhe computadores, desmonta completamente e separa as peças
não reutilizáveis das recicláveis (alumínio, cartões eletrônicos,
plástico e cabos). “Muitos italianos não sabem como se livrar de
seus computadores velhos e nos chamam para ajudá-los. Retiramos
e aplicamos as regras para lixo tecnológico: classificamos, separamos
e levamos o material perigoso para as instalações especiais dos
municípios, que se encarregam de destruí-los”, disse ao Terramérica
Loredana Sansone, da Progeo Ambiente.
Entretanto, estes esforços de reciclagem não resolvem o problema
do lixo eletrônico. Os computadores são parte das 107 mil toneladas
de resíduos eletrônicos e elétricos produzidos anualmente na Itália,
segundo a Ecoqual’It. Destes resíduos, 30% retornam aos revendedores,
15% são abandonados e somente 15% são tratados adequadamente. O
restante acaba no lixo comum. Na União Européia (UE), das 6,5 milhões
de toneladas de lixo eletrônico produzidas anualmente, 90% são queimadas
sem nenhuma classificação.
A UE estabeleceu que os produtores de alta tecnologia devem diminuir
a quantidade de substâncias tóxicas e assumir a responsabilidade
sobre seus produtos até o final de seu ciclo vital. Porém, em julho,
a Itália adiou por um ano o cumprimento das normas da UE sobre Resíduos
dos Aparelhos Elétricos e Eletrônicos. Os governos seccionais não
estão organizados para a coleta gratuita de lixo ecológico, nem
as empresas locais estão preparadas para cumprir essa norma. Tampouco
as empresas internacionais que vendem seus produtos na Itália fazem
muitos esforços para reduzir os componentes tóxicos nos computadores,
embora declarem o contrário.
É o que revela um estudo da organização Greenpeace divulgado dia
17 de agosto de 2005, que analisou 40 componentes de cinco fabricantes:
as norte-americanas Apple, Dell e Hewlett Packard (HP), a japonesa
Sony e a taiwandesa Acer. Segundo o Greenpeace, os componentes dos
computadores da Apple e da HP contêm tóxicos preocupantes. A HP,
além disso, diz em seu site que eliminou uma substância contaminante
há anos, quando não é verdade, afirma o estudo. “É possível reduzir
muito mais as substâncias tóxicas na fabricação de computadores.
Necessitamos de regulamentos mais rigorosos que obriguem a substituição
de todas essas peças”, disse ao Terramérica Giuseppe Onuffri, do
Greenpeace.
Onuffri acrescentou que muitos dos computadores jogados fora na
Europa acabam na China ou na Índia, onde as peças são recicladas
sem nenhum cuidado para a saúde ou o meio ambiente. A Apple rechaçou
as acusações do Greenpeace e recordou que tem uma política ambiental
sólida e que foi, e é, líder no campo industrial para a restrição
ao uso de substâncias tóxicas na produção de aparelhos elétricos
e eletrônicos.
* A autora é correspondente do Terramérica. |