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Diálogos


Segue firme a aposta da Monsanto no México

Por Diego Cevallos*

Embora o governo do presidente Fox tenha fechado a porta para o milho transgênico, a multinacional não deixará o país, disse ao Terramérica um alto executivo da companhia.

MÉXICO, 6 de novembro (Terramérica).- A poderosa multinacional de biotecnologia Monsanto, que ativistas apontam como corrupta, afirma ter uma boa imagem no mundo e anuncia que continuará lutando para que o México, centro de origem do milho, abra suas portas para as variedades transgênicas dessa gramínea. Em entrevista ao Terramérica, na Cidade do México, Eduardo Pérez, diretor de Desenvolvimento de Tecnologias da Monsanto para a América Latina-Norte, disse que embora “o ativismo tenha criado uma percepção errada sobre nós”, isso não afeta a empresa em seu desempenho comercial. Em 2005, cerca de 8,5 milhões de agricultores de 21 países plantaram transgênicos em um total de 400 milhões de hectares. A maior parte das sementes usadas é da Monsanto.

A companhia é acusada de subornar e pressionar funcionários de governos, de perseguir camponeses, de alterar relatórios científicos e até de ter participado da criação do agente laranja, uma arma química usada na Guerra do Vietnã (1964-1975). O representante da empresa, multinacional, que raramente aceita falar à imprensa, nega várias dessas acusações, mas concorda que houve um caso de suborno. Além disso, anuncia que sua empresa não pretende sair do México, apesar da rejeição oficial aos cultivos de milho transgênico.



Terramérica: Em outubro, o governo mexicano negou, pela terceira vez desde 2005, os cultivos experimentais de seu milho. O que a empresa fará?

Eduardo Pérez: Fizemos os pedidos por iniciativa do próprio governo, pois precisavam de nossas sementes para testes. Não conhecemos em detalhe os argumentos, mas se forem razoáveis os aceitaremos. É preciso obter informação científica de maneira responsável, para que a autoridade possa decidir se convém, ou não, o cultivo comercial de milho transgênico.



-- Ainda há regulamentações pendentes de aprovação no país para permitir estes cultivos, mas apesar disso vocês pressionam as autoridades.

-- Nós não pressionamos, apenas fazemos nosso trabalho. Estamos prontos para dar informação e claro que temos interesse nos testes. Por isso falamos com os que tomam decisões para perguntarem o que quiserem, se têm todos os elementos e se podemos ajudar em algo. Mantemos a idéia de que para testes não é preciso ter a regulamentação completa.



-- Vocês consideram inevitável a entrada do milho transgênico no México? Os ativistas dizem que se isso for permitido terão caminho livre para qualquer país.

-- Creio que na medida em que a informação científica seja gerada e que as autoridades tenham elementos de segurança para passar a uma fase comercial, essa tecnologia deveria estar disponível para os agricultores. Não temos dúvidas dos benefícios deste tipo de produtos, o que constatamos em muitas partes do mundo. Entrar no México é importante, mas não mais do que em outros países que já usam sementes transgênicas. É importante deixar claro que são os agricultores que pedem essa tecnologia.



-- Os opositores dos transgênicos dizem que suas sementes geram escravidão, pois os produtores não podem usar outras e ficam expostos a processos.

-- Garantimos que não vamos processar camponeses que cultivarem transgênicos sem conhecimento. Os processos que abrimos em outros países são contra os que usam com infidelidade e vantagem nossa tecnologia. O compromisso é fornecer soluções, e ninguém é obrigado a aceitá-las.



-- Denuncia-se que o cultivo de milho transgênico poderia gerar um enorme impacto ambiental, sanitário e cultural.

-- Este é um debate entre cientistas, que muitas vezes foi politizado, a ponto de se afirmar, sem bases, que o milho transgênico contaminará e deteriorará a biodiversidade. Contudo, as mais de 150 milhões de toneladas de milho transgênico que circulam no mundo não produziram nenhum dano. Quanto ao impacto cultural, não creio em mudanças, embora seja necessário definir as comunidades que são centros de origem no México, para mantê-las nessa condição.



-- Um funcionário de sua empresa declarou, em 2005, que se não for aprovado o milho transgênico vocês sairão do México.

-- Não sei como foi interpretada a resposta desse colega, mas se no México persistir um sistema regulatório bloqueado, imprevisível e até certo ponto moroso, a companhia tomará a decisão de dirigir parte dos recursos que usamos aqui para outro país. Entretanto, não deixaremos o México. Estamos aqui há muitos anos e temos um compromisso com o país.



-- A Monsanto tem uma fama ruim, os ativistas fazem graves acusações contra ela.

-- O ativismo criou uma percepção errada sobre nós, que não afeta a companhia. Se tivéssemos uma imagem ruim, não estaríamos em 120 países e tampouco nossos produtos, como as sementes híbridas e os herbicidas, seriam os preferidos pelos agricultores do México.



-- Em 2002, vocês foram condenados a multas por terem pago US$ 700 mil a funcionários da Indonésia para que permitissem os cultivos transgênicos. Como isso afetou a imagem da companhia?

-- Isso não foi feito pela Monsanto, e sim por um intermediário. E a lei é clara: embora tenha agido sem nosso conhecimento, a empresa é a punida, e pagamos por isso. Agora existe uma política muito rígida na companhia para que isso não volte a acontecer.



-- A Monsanto é um dos inventores do agente laranja?

-- Não tenho muita informação sobre isso; eu não havia nascido naquela época. Da mesma forma que a Monsanto, pode ter sido outra a empresa envolvida.

* O autor é correspondente da IPS.


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