PNUMA PNUD
Acentos
Edição Impressa
MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO
English Version Versión en Español
Buscar Archivo de ejemplares  
 
  Home Page
  Reportagens
  Análise
  Destaques
  Ecobreves
  Galeria
  Gente de Terramérica
                Grandes
              Nomes
   Entrevistas
  ¿Quem somos?
  Inter Press Service
Principal fonte de informação sobre temas globais de segurança humana
  PNUD
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
  PNUMA
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente


Acentos


Aeroporto divide governo e mapuches

Por Daniela Estrada*

Grupos indígenas pretendem parar obra de um novo terminal aéreo na região chilena da Araucanía, um dos principais projetos de infra-estrutura da presidente Bachelet.

SANTIAGO, 27 de novembro de 2006 (Terramérica).- O governo do Chile quer que o futuro aeroporto internacional da nona região se destaque na celebração do bicentenário do país, em 2010. Porém, cerca de 500 famílias mapuches se opõem à sua construção por causa de seus potenciais danos sociais e ambientais. No dia 15 de novembro, a governamental Comissão Regional de Meio Ambiente (Corema), da nona região da Araucanía aprovou por 12 votos contra quatro (dos representantes da comunidade) e uma abstenção o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do aeroporto que será construído na localidade de Freire.

Durante 2007, pretende-se expropriar 495 hectares na localidade de Huilquilco e realizar a licitação internacional. As obras começariam em 2008 e terminariam no final de 2010. No dia 18 de setembro de 2010, serão comemorados os 200 anos de vida independente do país e o aeroporto é uma das principais “obras do bicentenário”, iniciadas na administração anterior e retomadas pelo governo de Michelle Bachelet. “Este projeto pretende dotar a região da Araucanía de um aeroporto de categoria internacional, gerando igualdade no desenvolvimento territorial”, explicou ao Terramérica o secretário regional ministerial de Obras Públicas, Marco Antonio Vásquez.

O novo terminal aéreo, que substituirá o atual aeroporto de Maquehue – distante mais de 20 quilômetros – terá um edifício de cinco mil metros quadrados e pista de 2,44 quilômetros de comprimento, ampliável para 3,2 quilômetros. Calcula-se um investimento privado de US$ 50 milhões. Segundo Vásquez, a demanda de passageiros aumentará significativamente até 2010 e Maquehue, cuja pista é de 1,7 quilômetros, não pode ser melhorado. Além de estar ao lado de uma colina e ser afetado pela neblina, sua ampliação implicaria expropriar terrenos da etnia mapuche, a principal do país. Na nona região, 600 quilômetros ao sul de Santiago, residem 23,5% dos 604.349 descendentes desse povo.

O lugar escolhido para o novo terminal está a apenas 15 quilômetros da capital regional, Temuco, fica perto da rodovia e as 12 famílias donas dos terrenos não pertencem a esta etnia. Entretanto, oito comunidades mapuches – das 23 limítrofes ao futuro aeroporto – formaram o grupo Ayún Mapu (Terra Alegre, na língua mapuzungun) para coordenar sua oposição ao anteprojeto apresentado pelo governo. Negam-se a sofrer a poluição sonora e a absorver os gases emitidos pelos aviões, e acreditam que o EIA aprovado não incluiu todos os estudos necessários para avaliar os reais impactos econômicos, sociais e culturais da obra.

“A Corema votou o EIA de um anteprojeto onde faltam análises hidrogeológicas, acústicas, de mecânica de solo e dinâmica da água”, disse ao Terramérica Richard Caifal, da Ayún Mapu. A prefeita de Freire, Maria Gricelda Campos, concordou. “Perguntei diretamente ao intendente (Eduardo Klein) da nona região por que se fez um anteprojeto e não um projeto, e ele me disse que o aeroporto será construído com ou sem eles”, denunciou ao Terramérica. Entretanto, Vásquez assegurou que o EIA inclui todas as análises requeridas e que a empresa que ganhar a licitação será encarregada de elaborar o plano definitivo.

A concessionária deverá certificar o aeroporto com a norma ISO 14.001 e assumir todas as responsabilidades por eventuais prejuízos. Não haverá compensações econômicas, mas um “plano integral de desenvolvimento territorial na área de influência do projeto”, onde – independente do que fizer a concessionária – todos os serviços públicos serão colocados à disposição das cinco mil pessoas que integram as 23 comunidades que, em média, se localizam a 1,5 mil metros do lugar onde será erguido o aeroporto.

Segundo a prefeita de Freire, localidade de oito mil habitantes, o terminal causará transbordamento do estuário Pelales, prejudicará os criadores de gado e os produtores de leite – “que serão expropriados de suas propriedades orgânicas” – e deixará sem trabalho e moradia uma centena de famílias. “Os mapuches realizarão suas cerimônias religiosas com aviões passando sobre suas cabeças”, acrescentou. Além disso, há quatro meses a localidade de Fermín Manquilef começou a tramitar títulos de propriedade na região.

Campos exortou as autoridades a reformar a Lei sobre Bases Gerais do Meio Ambiente, de 1994, que permite ao governo ser “juiz e parte” nos EIA. “Propusemos quatro lugares em Freire onde estes problemas não ocorreriam, mas optou-se pelo mais econômico”, afirmou a prefeita. O Ayún Mapu apresentará um recurso contra a decisão do Corema, um recurso de proteção nos tribunais chilenos e outro no Tribunal Interamericano de Direitos Humanos. Não se atrevem a anunciar medidas mais radicais. “As comunidades estão intimidadas, já que qualquer manifestação de mapuches é qualificada de ato terrorista”, disse Caifal.

* A autora é correspondente da IPS.


Copyright © 2007 Tierramérica. Todos os Direitos Reservados

Enlaces Externos

Comissão Nacional de Meio Ambiente

Obras Bicentenário

Ministério de Obras Públicas do Chile

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos