PNUMA PNUD
Acentos
Edição Impressa
MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO
English Version Versión en Español
Buscar Archivo de ejemplares  
 
  Home Page
  Reportagens
  Análise
  Destaques
  Ecobreves
  Galeria
  Gente de Terramérica
                Grandes
              Nomes
   Entrevistas
  ¿Quem somos?
  Inter Press Service
Principal fonte de informação sobre temas globais de segurança humana
  PNUD
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
  PNUMA
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente


Acentos


Mares perigosos até para tubarões

Por Francesca Colombo*

Em 15 anos, a população de tubarões nas águas da Europa diminui 80%. Aproximadamente cem milhões de exemplares morrem por ano vítimas do lucrativo mercado global das barbatanas.

MILÃO, 5 de março (Terramérica).- Apesar de no imaginário coletivo se associarem com a morte, os tubarões são muito vulneráveis, e algumas variedades estão em risco de extinção. Das 40 espécies de tubarões que nadam nos mares da Europa, um terço está ameaçado pela pesca intensiva e ilegal, esportiva e acidental, segundo a União Mundial para a Natureza (UICN). Por isto, nos últimos 15 anos, a população destes tubarões diminuiu 80% e 20% das espécies européias estão prestes a passar para a categoria de perigo crítico, denunciam organizações não-governamentais européias.

“Os tubarões europeus correm sérios perigos. A superexploração pesqueira, a caça ilegal e o corte das barbatanas são as causas dessa redução”, explicou ao Terramérica Sonja Fordham, diretora de Políticas da Shark Alliance, uma rede de ongs que se dedica à proteção dos tubarões. O Conselho Internacional para a Exploração do Mar (Ices, sigla em inglês) recomenda não pescar as espécies mielga (Squalus acanthias) e golfinho (Lamma nasus), que nadam a nordeste do Atlântico e são as mais afetadas. A União Européia propôs incluí-las no Apêndice da II Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres (Cites).

“O problema é uma combinação da biologia destas espécies e a pesca não regulamentada. Não há cotas, nem limites, nem controle. A pressão pesqueira sobre os tubarões é tão forte que suas populações não podem ser recuperadas. Pesca-se mais tubarões do que nascem”, disse ao Terramérica a bióloga Rebeca Greenberg, da ong Oceana, dedicada à pesquisa e conservação dos oceanos. Os pescadores caçam estas e outras espécies de tubarões para cortar suas barbatanas. Depois jogam seus corpos na água. As barbatanas são vendidas a um bom preço nos mercados asiáticos e a procura aumenta ao ritmo de 5% ao ano.

Na China, por exemplo, há cerca de 380 milhões de consumidores da famosa sopa de barbatana de tubarão. Em Hong Kong, essas barbatanas são cotadas a US$ 131 o quilo. Na Coréia e na Tailândia, a sopa custa entre US$ 150 e US$ 200. A pesca para comercializar as barbatanas mata cem milhões de escualos por ano. Noventa por cento das barbatanas cortadas pertencem a tubarões azuis (Prionace glauca), cuja população diminuiu 60% no litoral do Atlântico. Em 2004, a União Européia exportou mais de 40 mil toneladas de carne de tubarão, o que representa 40% da exportação mundial total.

A Espanha, que tem a maior frota pesqueira da Europa, exporta anualmente para a Ásia entre duas e três toneladas de tubarão, que equivalem a um milhão de tubarões. A Itália é o primeiro país europeu na pesca de tubarões, com 1.061 toneladas (2004). Em seguida vêm Turquia, com 1.018 toneladas, e Grécia com 911. “Se cortarem somente as barbatanas desperdiçam o resto. Os tubarões são usados para fazer dentes, colares, cosméticos, óleo, vitaminas”, disse Greenberg. A caça acidental também constitui uma ameaça para sua sobrevivência. Anualmente provoca a morte de cem mil tubarões no Mediterrâneo.

“É um problema dos tubarões de todo o mundo. Estão em risco de extinção pelas capturas acidentais; geralmente acabam presos nas redes dos pescadores com os peixes-espada. Não há muita informação sobre este fenômeno”, disse ao Terramérica Marco Constantino, da filial italiana do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). A carne destes escualos é vendida como se fosse “pescado fino” e acaba nos pratos europeus. Também constitui uma ameaça a caça esportiva de outras espécies, como o tubarão mako (Isurus oxyrinchus).

A destruição de seu hábitat, sua lenta maturidade sexual – o tubarão branco (Carcharodon carcharias) chega aos nove anos e o galhudo (Carcharhinus plumbbeus) aos 25 – e sua baixa reprodução também os colocam em perigo. A maioria das espécies de tubarões tem entre uma e cinco crias. O período de gestação vai de nove a 12 meses. Os tubarões são carnívoros e predadores; comem peixes médios, velhos ou doentes. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a superexploração produz mudanças na estrutura genética de algumas destas espécies, acelerando suas fases de crescimento, ciclos de maturidade reprodutiva e reduzindo seu tamanho natural.

Os escualos são mais antigos do que os dinossauros. Apareceram nos oceanos há cerca de 400 milhões de anos. Podem ser pequenos, como o tubarão anão (Squaliolus laticaudus), de 25 centímetros de comprimento, ou enormes como o tubarão baleia (Rhincodon typus), de 18 metros. Atualmente, acontecem cem ataques de tubarão, 30 deles mortais. Mas apenas quatro das 300 espécies conhecidas (tubarões touro, tigre, oceânico e branco) atacaram as pessoas.

“É preciso mudar a idéia que se tem sobre os tubarões. Eles possuem a mesma imagem que os lobos. Há alguns anos se pensava que os lobos matavam e eram um perigo para os homens. E isso não é verdade. No Mediterrâneo, a possibilidade de um ataque de tubarão é quase inexistente”, assegurou ao Terramérica a bióloga marinha Simona Clò, do Centro de Meio Ambiente e Proteção de Espécies Marinhas do Centro Turístico Estudantil.

* A autora é colaboradora do Terramérica.


Copyright © 2007 Tierramérica. Todos os Direitos Reservados

Enlaces Externos

Fundo Mundial para a Natureza

http://www.squali.com/

http://www.oceana.org/

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos